Dia mundial de saúde: NA GUINÉ-BISSAU, PARTOS AINDA SÃO ASSISTIDOS À LUZ DE TELEMÓVEL
A Organização Mundial da Suade (OMS) estima que mais de 13 milhões de mortes anuais no mundo têm como a base as causas ambientais evitáveis. Na Guiné-Bissau, o sistema de saúde está aquém do desejar e as gravidas ainda morrem durante o parto.
Os dados foram partilhados, hoje, pela representante interina da OMS para a Guiné-Bissau, no dia em que se comemora o dia mundial da saúde. A representante, Mie Okamura, disse que a crise climática é a maior ameaça que a humanidade enfrenta.
“A poluição do ar mata 13 pessoas a cada minuto por cancro nos plumões”, revela.
Ao nível nacional, o sistema de saúde enfrenta séries de dificuldades e a população não tem acesso à saúde de qualidade. São tantos os desafios enfrentados na área de saúde onde os hospitais estão sem materiais adequados para o atendimento dos doentes; as mulheres ainda continuam a morrer durante o parto, as pessoas ainda procuram tratamento médico no exterior e até na região Senegalesa de Ziguinchor.
Os hospitais públicos estão sem materiais de diagnóstico de muitas doenças e existem escassos médicos especialistas guineenses.
Para a compra dos medicamentos a população corre series de riscos sendo que a maioria não é conservada de acordo com as recomendações internacionais e, para piorar a situação, os medicamentos são colocados nas ruas e vendidos aos olhos de quem realmente tem a responsabilidade de inspecionar a sua venda.
Para os técnicos de saúde guineenses, este dia mundial de saúde representa uma chamada de atenção das autoridades em relação aos cuidados de saúde. Para Ioiô João Correia, em entrevista à RSM, a Guiné-Bissau teve retrocessos preocupantes em relação aos esforços ligados ao setor de saúde.
“Obviamente o Estado deve ter a consciência de que deve criar condições básicas para a população”
Ainda sobre este dia, o Diretor Nacional da Enda Santé Guiné-Bissau disse que é chegado o momento do Estado da Guiné-Bissau empenhar-se em dar saúde de qualidade à sua população. Mamadu Aliu Djalo que falava só à RSM diz ser inaceitável que os partos ainda sejam assistidos com luz de telemóvel.
“As autoridades nacionais devem fazer mais. É inaceitável que em pleno ano 2022 sejam feitos partos à luz de telemóvel. A Guiné-Bissau precisa investir mais no setor de saúde para melhorar a sua capacidade de resposta dos funcionários”, aconselha.
No entanto, em entrevista à Rádio Sol Mansi (RSM), o ministro da Saúde Pública reconhece que o sistema de saúde da Guiné-Bissau não está em condições desejáveis, mas disse que o governo tem empenhado em trazer médicos estrangeiros para colmatar a carência verificada nos hospitais públicos.
Uma das situações criticas e que tem suscitado várias preocupações é a questão de ambulância. No interior, para a evacuação dos doentes os familiares são obrigados a alugar viaturas públicas e na maioria das vezes sem condições para a transportação dos doentes. Á caminho, muitos doentes acabam por morrer e nas zonas mais distantes a população prefere colocar a vida à sorte optando mais para tratamentos tradicionais e sem seguimento médico.
Instado a falar sobre isso, o ministro da saúde pública disse que as regiões estão sem ambulâncias devido às condições precárias das estradas e as vezes devido a falta de empenho das direções regionais de saúde em proceder às manutenções atempadas das ambulâncias.
“Esta situação das ambulâncias é crónica no país par além de que não existem estradas adequadas”, admite.
Para este ano, a Organização Mundial da Saúde dedicou o Dia Mundial da Saúde ao tema: “O nosso planeta, a nossa saúde”, com foco nas ações necessárias para manter as pessoas e o planeta saudáveis.
O dia da saúde visa chamar a atenção para as prioridades específicas da saúde global mas, ganhou importância e a preocupação internacional a ponto de, a partir de 1950, a Organização Mundial da Saúde (OMS) definir o 7 de abril como o Dia Mundial da Saúde.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos
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