LGDH: DISFUNCIONAMENTO DAS INSTITUIÇÕES JUDICIAIS AUMENTA EPISÓDIOS VIOLENTOS NAS ALDEIAS DE ELIA E ARAME

A impunidade e o disfuncionamento das instituições judiciárias do país têm contribuído no aumento dos episódios violentos ao longo dos anos nas aldeias de Elia e Arame.

Elia e Arame estão localizadas na secção de Suzana, sector de São Domingos, região de Cacheu, norte da Guiné-Bissau.

Esta ideia é defendida hoje pela Liga Guineense dos Direitos Humanos numa clara alusão a disputa de posse de terra entre os populares destas duas aldeias, na última sexta-feira e que resultou na morte de uma pessoa e quatro feridos a bala, estando dois em estado grave.

Em entrevista à Rádio Sol Mansi, o vice-presidente da Liga Guineenses dos Direitos Humanos, Abubacar Turé, diz que o estado deve assumir as suas responsabilidades porque todas as iniciativas desencadeadas pelas organizações da sociedade civil não têm tido um bom resultado.

“ O estado deve assumir com suas responsabilidades porque todas as iniciativas desencadeadas pelas diferentes organizações, todos revelam infrutíferas. Estes episódios de ataques que culminam com mortes e feridos graves, estão a ser incentivado pela impunidade porque em todos esses casos que terminam com a morte, não houve detenções, julgamento e posterior cumprimento de penas”, diz acrescentando que “ a impunidade, disfuncionamento de instituições judiciarias, de forças de defesa e segurança, todos em conjunto estão a contribuir para encorajar os ataques, assassinatos e agressões violentas que estão a acontecer naquela localidade nortenha da Guiné-Bissau”.

O vice-presidente da Liga Guineenses dos Direitos Humanos exigiu do estado a criação das condições de segurança naquelas localidades para pôr cobro a situação que ele considera de nefasta e medonho

“ Para nós, tudo isso são grave e nos dá a entender que o estado se renunciou da sua missão fundamental que é a de garantir a segurança dos cidadãos, proteger direitos e patrimónios dos cidadãos”, observou.

Turé denunciou que ao longo dos anos de conflitos nestas localidades, há mais de 20 mortos, números incalculáveis dos feridos e dos desaparecidos.

As duas tabancas estão em conflito de posse de terra desde 2012. A aldeia de Arame reclama a posse de terra de uma zona geográfica onde os populares de Elia plantaram pomares de caju.

Por: Braima Sigá

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