É PRECISO REALIZAÇÃO DE UM REFERENDO SOBRE EXPLORAÇÃO DOS RECURSOS NATURAIS: Comissão Especializada da ANP
A Comissão Especializada da Assembleia Nacional Popular (ANP) para os assuntos da Agricultura, Pescas, Recursos Naturais, Ambiente e Turismo pretende propor à mesa do parlamento a realização de um referendo sobre a exploração dos recursos naturais.
“Se é possível no quadro da Comissão [especializada], vamos propor à mesa de Assembleia a realização de um referendo acerca de exploração de minas, nossos recursos naturais”, diz o presidente da Comissão Especializada da Assembleia Nacional Popular para os assuntos da Agricultura, Pescas, Recursos Naturais, Ambiente e Turismo, Paulo Bodjan, no âmbito da visita do seguimento e fiscalização das atividades do Governo, através de denúncias públicas dos populares das comunidades do sector de Quebo, região de Tombali, Sul do país.
Para o deputado a situação “é demasiado. Veja, tudo isso debaixo da terra, é preciso realização de um referendo para compreendermos se de facto há necessidade de nos continuar a esbanjar os recursos naturais que pertence a toda geração e que nós [autoridades] não temos motivos de fazer o que estamos a fazer hoje”, lamenta o deputado para depois questionar as condições das estradas do país. “Estrada que percorremos, está em péssima condição mas temos os recursos suficientes para construir as estradas. É grave, mas muito grave mesmo e é penoso o que estamos a fazer hoje. Já chegou o momento dos guineenses evitarem a clivagem interna na política para fazermos uma reviravolta rumo ao avanço do país que passa, necessariamente, em colocar o que é do povo ao serviço do povo” defendeu.
Paulo Bodjan voltou a afirmar no âmbito da visita a dois campos nas comunidades do sector de Quebo, em que as empresas AREZKY e BISTEINE exploram as pedras para transformar em britas, que “se não revimos a forma de exploração da mina no nosso país, vamos comprometer e penhorar a nossa terra e amanhã às futuras gerações não só vão nos julgar, mas vai nos condenar severamente, porque não estamos a medir a dimensão e a gravidade que estamos a cometer para as futuras gerações”, rematou o deputado da bancada parlamentar do APU-PDBG [Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau] que lidera a comissão especializada da ANP para os assuntos da Agricultura, Pescas, Recursos Naturais, Ambiente e Turismo que efectuou na, sexta-feira, uma visita de trabalho aos campos da exploração das pedras no setor de Quebo.

Comunidades exigem a contrapartida palpável
As comunidades arredores das zonas em que as empresas exploram as pedras para exportação de britas denunciam que não beneficiam praticamente de nada em contrapartida da exploração por parte das empresas.
Segundo testemunhos, os trabalhos de exploração e transformação de pedras em britas têm causado imensos problemas nas comunidades.
Braima Candé, chefe da tabanca de Sintcham Aliu, onde a empresa AREZKY concentram as suas máquinas para exploração e exportação de britas, “desde o início da exploração de britas, a empresa nunca dignou em cumprir com as promessas feitas em relação às nossas casas que estão com as fendas devido o trabalho de arrebentamento das pedras”.
A mesma denúncia foi reafirmada pelo régulo de Cuntabane, com residência em Saltinho, Suleimane Balde, que assegurou que “ anos atrás pretendemos realizar protesto junto aos campos da exploração das pedras para estancar as práticas que têm deixado muitos problemas nas comunidades. Algumas das nossas mulheres deparam com o problema no momento do parto devido às máquinas utilizadas pelas empresas para o arrebentamento das pedras”.
Em termos de benefícios, o administrador do sector de Quebo, Cunhate Djatá, confirmou que a exploração das pedras para britas não tem beneficiado o sector no seu todo, dando o exemplo da estrada que está numa situação precária. “ Transporte destas britas é que estragou por completo a estrada desta zona, sobretudo no momento da construção da estrada que liga Buba a Catió, pelo menos em contra partida depois da obra, reconstruir a estrada que liga Quebo Buba mas não foi o caso”.
Segundo o que se constatou ao longo da viagem, a estrada está numa situação precária criando estrangulamento na circulação dos transportes encontrando durante a viagem alguns camiões a transportar britas.
Por: Braima Sigá
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