FRENTE POPULAR, FIRKIDJA DI PUBIS E PÓ DE TERRA APELAM À DESOBEDIÊNCIA CIVIL E GOVERNO ALERTA PARA SANÇÕES NA FUNÇÃO PÚBLICA
O líder da Frente Popular, Armando Lona, apelou esta segunda-feira à desobediência civil e ao boicote em todos os níveis da administração pública, em protesto contra o que considera ser uma tentativa de confiscar a vontade popular expressa nas urnas.
O apelo foi lançado esta manhã, durante uma entrevista telefónica, na qual o dirigente da organização cívica afirmou que a desobediência civil e o boicote são, neste momento, as únicas formas de pressionar pela divulgação dos resultados das eleições de 23 de novembro. Recorde-se que o processo de apuramento foi interrompido após a intervenção militar na sede da Comissão Nacional de Eleições (CNE).
Segundo Armando Lona, “as pessoas que assumiram o poder, neste momento, não resultam da vontade popular”.
“POVO É QUE TEM O PODER DE DECISÃO”
O Movimento da Sociedade Civil Pó de Terra convoca o povo guineense a aderir a uma desobediência civil pacífica, para demonstrar o descontentamento em relação ao atual momento sociopolítico do país.
Segundo Vigário Luís Balanta, líder do Movimento Revolucionário Pó di Terra, que falava em entrevista à Rádio Sol Mansi sobre o apelo à desobediência civil, num momento em que o país é governado por uma junta militar desde o golpe de Estado de 26 de novembro, “o povo é que tem o poder de decisão”.
Em relação à nota emitida pelo Ministério da Função Pública sobre o assunto, Vigário Luís Balanta reafirma que a atual configuração da administração pública não dispõe de legitimidade para falar em nome do povo guineense.
O Movimento Revolucionário Pó di Terra afirmou ainda que o problema do país deve ser resolvido pelos próprios guineenses e apelou para que todos acompanhem o desenrolar da reunião da CEDEAO marcada para o dia 14.
O líder do movimento acrescentou que a organização está preocupada com a permanência de alguns políticos nas celas.
O Pó de Terra denuncia também que pessoas estão a ser aliciadas em troca de efetivação na função pública.
O Movimento Revolucionário Pó di Terra é uma organização cívica que tem denunciado repressão, abusos de poder e exigido transparência, justiça e democracia.
GOVERNO REAGE E ALERTA PARA MEDIDAS DISCIPLINARES
Numa nota divulgada nas redes sociais, o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social afirmou que a adesão a atos de boicote ou desobediência civil contraria os princípios do serviço público, viola a legislação em vigor e compromete o normal funcionamento das instituições do Estado.
O Governo alerta ainda que qualquer ausência injustificada dos trabalhadores será registada e tratada nos termos da lei, podendo dar origem a processos disciplinares.
Face à posição do Executivo, Armando Lona reagiu acusando o Governo de ser “o principal violador das leis do país”, apelando aos servidores públicos para não se deixarem intimidar.
FUNÇÃO PÚBLICA A MEIO GÁS APÓS INTERVENÇÃO MILITAR
Apesar das advertências governamentais dirigidas aos funcionários públicos sobre o apelo à desobediência civil convocado pela Frente Popular e pelo Movimento Revolucionário Pó de Terra, a Função Pública continua a funcionar a meio gás desde a intervenção militar na sede da CNE, no passado dia 26 de novembro.
A Rádio Sol Mansi deslocou-se esta manhã ao Palácio do Governo para avaliar o grau de adesão dos trabalhadores. Durante a ronda pelos vários ministérios instalados no local e pelos serviços da Função Pública, a reportagem constatou uma presença reduzida de funcionários nos respetivos postos de trabalho, uma situação que tem vindo a acontecer desde o golpe de Estado.
Por: Elisangila R. S. dos Santos Camará / Braima Sigá / Turé da Silva / Bíbia M. Pereira
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