JOVENS INTERNADOS NO HOSPITAL DEPOIS DE “VIDENTE” TÊ-LOS OBRIGADO A BEBER GRANDE QUANTIDADE DE AGUARDENTE

Na cidade de Buba, região de Quinará, sul do país, quatro jovens guineenses foram acusados de terem roubado telemóvel. Segundo relatos os jovens foram levados á um vidente que de seguida obrigou-os a consumir quantidades exageradas de aguardente.

A intenção, segundo testemunhos, é pressionar que os mesmos jovens confessassem o crime. Na sequência, 03 dos 04 jovens foram levados ao hospital, e, no entanto, agora estão fora de perigo de vida.

Em entrevista à Rádio Sol Mansi, o médico que estava de serviço, Amarildo Pereira, disse que os jovens chegaram em situações de saúde que exigiram cuidados intensivos.

“Eles já estão a tranquilizar e estamos a monitorar os seus sinais vitais. Neste momento estão a recuperar bastante e fora de perigo e isso quer dizer que o álcool já está a sair dos seus organismos”, explica o médico.

Um dos jovens acusados de furto, confirmou à RSM que foram humilhados, torturados, ameaçados e obrigados para consumir grandes quantidades de aguardente.

“Colocaram-nos num quatro e várias pessoas estavam com pau na porta e ordenaram que nodos bebessem a cana e se alguém recusar vão ter a certeza que foi quem roubou o telemóvel. O próprio vidente deu-se uma paulada e cai no chão e de seguida me obrigaram a beber a cana e só depois disseram que eu não roubei o telemóvel e que estava livre para voltar á minha casa”, explica.

Igualmente, a RSM falou com o suposto vidente, Bubacar Baldé, que confirmou que realmente ordenou que os jovens bebam a aguardente. Ele insistiu que foram 04 jovens que estiveram em sua casa, mas um não passou mal de saúde.

“Não tenho a força suficiente para obrigar que estes jovens entrem na minha casa. Mas, tiveram a motivação de entrar porque uma pessoa disse que quem não beber a aguardente terão a certeza que foi ele mesmo que roubou o telemóvel”, justifica o vidente afirmando que foi procurado por uma outra pessoa da mesma aldeia que pretendia descobrir o paradeiro do seu telemóvel.

O Caso já está sob a alçada da polícia de Buba. Mas, apesar disso, Aramatu Camara, mãe de um dos jovens internados, exigiu que a justiça seja feita o mais rápido possível.

“Que a autoridade faça o seu trabalhos, porque isso não vai ficar por nem por isso. Vamos sair daqui direto para a polícia e mesmo que levem o caso para o tribunal, porque isso não é normal”, garante.

Sobre este assunto, o porta-voz do movimento regional da sociedade civil, Justo Braima Camará, exige que os implicados sejam castigados segundo a lei.

“Que a Guarda Nacional faça o seu trabalho e apure de que lado está a verdade”, exige.

Este é mais um caso de violência contra os direitos humanos na Guiné-Bissau. São tantos casos que ainda ficam por ser esclarecidos e julgados na Guiné-Bissau.

 

Por: Rosário Cabi

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