EUA PÕEM CABEÇA DE ANTÓNIO INDJAI EM PRÉMIO E ANALISTA DISSE QUE ISSO É ABUSO DE PODER
O comentador para os assuntos políticos da Rádio Sol Mansi (RSM), Rui Jorge Semedo, considera de excessivo abuso de poder a decisão dos EUA em querer a cabeça do militar e antigo Chefe de Estado das Forças Armadas, António Indjai.
O politólogo falava, hoje, à RSM, em análise ao pronunciamento do Departamento dos EUA que anuncia a recompensa de mais de 3 bilhões de francos cfa por informações que levem à detenção ou condenação de António Indjai por “estar envolvido no tráfico de drogas internacional”.
No olhar de Rui Jorge Semedo, as constantes crises vividas no país poderão ser um impulso para esta tomada de decisão sem que, aparentemente, seja ouvido o Estado da Guiné-Bissau.
“António Indjai está na sua terra e aqui existem instituições que, embora funcionam como todos sabemos, mas mesmo assim devem funcionar com base no respeito daquilo que é a legalidade, penso que os EUA deveriam solicitar a colaboração do Estado da Guiné-Bissau e em caso da resistência avançar com o pronunciamento do prémio em dinheiro”, explica.
Segundo o documento do Estado americano, entre Junho e Novembro de 2012, António Indjai concordou em receber e armazenar várias toneladas de cocaína que alegadamente pertenceriam às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia.
O Departamento de Estado afirma que António Indjai e os seus associados concordaram que uma parte da cocaína recebida seria usada para pagar funcionários guineenses.
O analista político, Rui Jorge Semedo disse que, diante desta situação, a Guiné-Bissau deve começar uma missão diplomática porque esta situação pode criar alguma desestabilização no país e suscitar um clima de desconfiança dentro das forças armadas que poderão conduzir às situações indesejáveis que poderão provocar o aprofundamento da instabilidade no país.
“É urgente o posicionamento do Estado da Guiné-Bissau, é preciso que procure defender a legitimidade judicial”, adverte Rui Jorge Semedo que sustenta, no entanto, que o que está em causa não é a acusação do envolvimento do guineense em tráfico de drogas, mas “o importante são as formalidades judiciais que devem ser postas em primeiro plano”.
Sobre esta situação a RSM continua a aguardar a reacção de António Indjai que depois de ser contactado pela nossa estação emissora promete falar ainda hoje.
Na mesma análise à RSM, Rui Jorge Semedo considera esta situação de vergonhosa, e, não obstante, disse que a decisão do Estado Americano poderá criar caos na Guiné-Bissau.
“Não vejo a possibilidade desta proposta funcionar no país sobretudo para as pessoas entregarem António Indjai. Os EUA estão a convidar os guineenses para entrarem numa nova guerra e talvez é o que querem para a Guiné-Bissau”, enfatiza.
António Indjai é um dos sancionados, pelas Organizações das Nações Unidas, no golpe militar de 2012 que tirou do poder o antigo primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, que na altura concorria a segunda volta da eleição presidencial.
Segundo informações publicadas pela imprensa internacional que cita o relatório do Departamento dos EUA, António Indjai liderou uma organização criminosa que participou activamente no tráfico de droga na Guiné-Bissau e na região durante muitos anos, mesmo enquanto chefiava as Forças Armadas guineenses.
A mesma fonte cita ainda que o antigo Chefe de Estado-maior General das Forças Armadas, António Indjai, era visto como uma das mais poderosas figuras desestabilizadoras da Guiné-Bissau, operando livremente em toda a África Ocidental, usando as receitas ilegais para corromper e desestabilizar outros governos estrangeiros e minar o Estado de Direito em toda a região.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Braima Sigá
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