CELEBRAÇÃO DO DIA MUNDIAL DO AMBIENTE FICOU MARCADA COM AUMENTO DA TEMPERATURA NA GUINÉ-BISSAU

Foi celebrado esta quarta-feira, (5 de junho) Dia Mundial do Ambiente, este ano, o dia  tem como lema: "O foco na restauração de terras, desertificação e resiliência à seca”.

A efeméride é assinalada num momento em que no país registou-se aumento da temperatura e ameaça da seca severa sobretudo nas regiões, particularmente do leste, nomeadamente Bafatá e Gabu e uma parte da região de Oio, norte do país.

Numa entrevista telefónica à Rádio Sol Mansi, com o especialista na adaptação às alterações climáticas, e igualmente perito do projeto de Promoção de uma Agricultura Inteligente do Clima na Província leste, Garcia Bacar Embaló, anunciou que a situação da desertificação nas zonas mencionadas “está a piorar cada vez mais”.

“A situação da desertificação cada vez está a piorar, a zona leste é a zona de risco, altamente do risco, sobretudo na linha do norte e, não só nas regiões de Gabu e Bafatá, mas a região de Oio também, admitimos que a partir do sector De Pitche, nas zonas de Canquelifá, pegando a linha de Pirada, ambos região de Gabo, passando para a região de Bafatá, nas zonas de Sare Bacar, sector de Contuboel e no sector de Farim, região de Oio, todas estas zonas são as zonas de extremamente de risco. Daí na minha opinião pessoal é para desinstalar todos os tipos de serrações, criando uma moratória de mais de 10 anos para tentarmos criar a floresta comunitária para fazer face a situação”.

De acordo ainda com o especialista, o projecto em causa está a realizar as formações para os agricultores, ONGs, associações de bases em temáticas de resiliência às alterações climáticas, como: lavoura transversal, rotação de cultura e associações de culturas, “estas técnicas permitem a restauração de solos ou terras degradadas, aumenta o rendimento da produção e prepara os agricultores a serem mais resilientes aos choques climáticos”.

No que se refere à desertificação Embaló, informou que “o projecto prevê uma linha específica de subprojectos que vão ser propostas para as comunidades beneficiárias e estes projectos visam estancar a desertificação mas também a seca e ainda no quadro da seca prevemos a construção de mini barragens, bacias de retenção da água da chuva, furos e postos pastoris nas zonas de intervenções do projecto”.    

Em relação ao lema deste ano, "o foco na restauração de terras, desertificação e resiliência à seca”, o ministro do Ambiente, Biodiversidade e Ação Climática, Viriato Soares Cassamá, na mensagem enviada alusiva à celebração do dia, afirma que, "é extremamente pertinente para a nossa realidade". Para ele, "a Guiné-Bissau é um país rico em biodiversidade, mas que enfrenta desafios significativos devido às alterações climáticas e à degradação ambiental.

Segundo ainda o governante, "ao longo dos últimos anos, temos trabalhado arduamente para proteger os nossos recursos naturais e promover um desenvolvimento sustentável que beneficie a todos os guineenses".

Viriato Soares Cassamá afirma por outro lado que "a restauração dos ecossistemas é uma tarefa urgente e colectiva”.

A taxa de degradação das florestas no país é preocupante e precisa do envolvimento de todos no combate à desertificação. Para o engenheiro florestal Constantino Correia, é urgente a realização de inventário florestal, para recuperar as florestas a curto prazo.

“É urgente entrar no terreno para saber o que temos, para podermos fazer um plano de reflorestação, restauração e de recuperação das nossas florestas, este é a acção que podemos fazer a curto tempo”, porque segundo explica o especialista florestal, “a floresta tem um papel fundamental na regulação climática numa maneira geral, na conservação da biodiversidade e em proporcionar vários serviços do ecossistema, por exemplo, reduzir a temperatura, proporcionar bom qualidade e quantidade da agua e vários outras acções. Como vimos, há dado que indica que a nossa floresta degrada a uma taxa de 60 a 80 mil hectares por ano, portanto, a restauração da floresta degradada vai aumentar significativamente a capacidade de sequestração de gases com efeitos de estufa que provoca sérias de problemas na terra”.  

Este ano, segundo o governo, o aumento das temperaturas vai impactar a produção da castanha de caju, maior produto agrícola de exportação da Guiné-Bissau.

De acordo com a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação, até 40% das terras do planeta estão degradadas, afetando diretamente metade da população mundial.

O número e a duração das secas aumentaram em 29% desde 2000 e, sem uma ação urgente, as secas podem afetar mais de três quartos da população mundial até 2050.

 

Por: Braima Sigá

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