Três anos de mandato de Sissoco. UM MANDATO MARCADO POR RAPTOS E ESPANCAMENTOS DE CIDADÃOS COMUNS E FIGURAS PÚBLICAS
O presidente da República, Umaro Sissoco Embaló, completou esta segunda-feira três anos no poder, num mandato marcado por vários casos, nomeadamente, raptos e espancamentos de cidadãos comuns e figuras públicas críticos do regime, ataques e destruição das infraestruturas, entre outros.
O chefe de Estado guineense foi investido no cargo a 27 de fevereiro de 2020, quando ainda existia um contencioso eleitoral por decidir no Supremo Tribunal de Justiça, Embaló com o apoio da formação política MADEM-G15, foi declarado vencedor da segunda volta das eleições presidenciais, pela CNE, com 53,55% dos votos válidos, contra 46,45% do candidato suportado pelo PAIGC, Domingos Simões Pereira.
Os cidadãos, ouvidos pela rádio Sol Mansi divergem quanto aos aspetos positivos e negativos de governação do presidente da República, Umaro Sissoco Embaló.
“(..) o mandato do presidente é altamente positivo, se tomarmos em consideração o que já passamos em termos da própria governação de Guiné-Bissau, o historial de Guiné-Bissau desde 1974 até a data presente acabamos por notar uma certa melhoria no que se refere a governação”, disse um cidadão nacional.
Um outro cidadão disse que a sua “maior preocupação tem a ver com a educação e a saúde que são as áreas que não têm sido priorizadas pelos governantes do país”.
“Estamos a passar muito mal. Estamos muito mal. A situação está muito pior, porque os produtos como arroz está muito caro, mais de 20 mil francos cfa e alguns produtos para a cozinha”, critica uma cidadã guineense lamentando o fato do peixe no mercado custarf 2.500 por quilograma.
“Como é que se pode dizer que o mandato está bom.. o mandato está muito mal mesmo e se as coisas continuar assim, a população não pode viver bem”, critica.
Eu não sou tanto fã do presidente, disse um outro entrevistado guineense, “mas de uma forma geral, acho que a avaliação é positiva visto que ele tem um espírito da iniciativa apesar de tiver alguns pontos fracos”.
“Existem algumas anomalias que posso constatar nele, assim como posso constatar isso em Manuel Macron ou como em qualquer um outro presidente. Então, acho que ele tem um bom espírito da iniciativa”, elogiou.
“Desde que nasci, nunca vi uma situação tão alarmante como nesses três anos, nunca. Para dizer a verdade, este mandato não está nada bem, porque nunca vi uma crise no país como no últimos três anos”, observou.
Prós e contras do mandato
Perante esta situação, o politólogo igualmente comentador permanente da RSM, Jorge Semedo aponta aproximação no âmbito internacional de obras de requalificação da cidade velha de Bissau, como ganhos dos três anos de Umaro Sissoco Embalo a testa do destino do Estado da Guiné-Bissau.
“Os ganhos foram mais do ponto de vista de algumas ações do que realmente ganho político do ponto de vista democrático, neste caso no ponto de vista de algumas ações sobretudo no plano internacional, a Guiné-Bissau conseguiu aproximar-se dos outros com destaque a ida do presidente a Ucrânia e Rússia, nos aspetos de infraestruturas a reabilitação de Bissau velho é um pontos positivos”, salientou o comentador.
Em relação aos aspetos negativos, o comentador político considera raptos e espancamentos num claro alusão a “Ordem Superior” e casos isolados como fatores que têm marcado a sua governança.
“No ponto de vista político não podemos esquecer como aconteceu, foi basicamente um assalto inconstitucional ao poder que acabou por contribuir nos três anos em fazer retroceder a democracia na Guiné-Bissau se não vejamos, a renúncia de separação de poderes. Vinda da força da CEDEAO que não teve aval do parlamento sem contar também com aspeto de liberdade onde houve raptos e espancamentos”, apontou Rui Jorge Semedo.
Rui Jorge Semedo disse também que para inverter a tendência negativa no resto dos dois anos, deve haver uma aceitação da lei, como princípio que orienta ação governativa.
“Espero que seja respeitado o principio democrático, presidente enquanto garante da constituição da República, deve aceitar o que está na lei porque durante três anos, muitas coisas foram feitas sem obedecer o que está na lei”, analisou Semedo.
Para além dos “Caso Isolados” e “Ordem Superior”, durante o reinado do Presidente Umaro Sissoco Embalo, os sindicatos foram impedidos de se manifestarem e não sós, mas também as diferentes organizações sócio- laborais e outras formas de barrarem a circulação dos cidadãos comuns.
Por: Marcelino Iambi / Ndautarim Baio Lelo
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