Legislativas: LÍDERES RELIGIOSOS APELAM QUE OS POLÍTICOS ABSTENHAM DE DISCURSOS RADICAIS QUE INCITAM ÓDIO E VIOLÊNCIA
Os líderes religiosos da Guiné-Bissau exortam aos partidos políticos a absterem-se e desencorajar aos seus militantes e simpatizantes a proferirem discursos inflamatórios, segregacionistas, radicais e capazes de incentivar ao ódio e à violência durante a campanha eleitoral e período pós-eleitoral.
O apelo dos líderes das comunidades Católica, Evangélica e islâmica foi feita, hoje, durante uma declaração conjunta tendo em conta a preocupação com o aproximar da data das eleições legislativas que espera-se que seja num clima de grande expetativa, diante de um ambiente de muita descrença e mesmo de certo desânimo na população.
Na mensagem lida pelo porta-voz das comunidades religiosas, padre António Imbombo, às formações políticas – partidos e coligações políticos espera-se que comprometam-se em perseverar a paz e a estabilidade bem como promover o respeito pelos direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos e também que conformem as estratégias eleitorais ao quadro constitucional, fazendo da Lei o limite e o fundamento na prossecução dos seus objetivos político-partidários.
“Assegurar que as propagandas eleitorais, nomeadamente os tempos de antenas, as entrevistas, os comícios, as comunicações ao público e as manifestações políticas sejam desenvolvidos com moderação, contenção e decoro democrático, dando primazia aos debates políticos sobre assuntos voltados para aprofundamento da democracia, consolidação da paz e promoção de desenvolvimento sustentável”, pediram os líderes religiosos.
Os líderes guineenses pedem ainda que os políticos evitem de comportamentos suscetíveis de comprometer a integridade do processo eleitoral, incluindo anúncio público de dados eleitorais antes, da divulgação definitiva de resultados pela entidade competente e também que elejam instâncias legais e judiciais como únicos fóruns para a resolução de disputas eleitorais com vista a preservar a paz e coesão nacional.
O apelo dos líderes religiosos é extensivo às instituições responsáveis pela gestão do processo eleitoral. Espera-se que elas possam dirigir o processo eleitoral com zelo e imparcialidade em estreita observância da Lei para garantir a transparência, a integridade e a verdade eleitoral.
Os líderes exortam que sejam tratadas de forma igual todas as formações políticas, coligações e partidos políticos e assegurar a sua participação ativa em todas as fases do processo eleitoral para garantir a transparência e igualmente para de seja desenvolvida uma campanha de educação cívica ampla e inclusiva para incentivar a participação ativa e informada dos cidadãos no processo eleitoral.
Entretanto, exortam que as instituições responsáveis pela gestão do processo eleitoral sejam capazes de assegurar que sejam adotadas todas as medidas necessárias e legais para o apuramento e divulgação de resultados eleitorais credíveis tendentes a reduzir especulações e a tensão política.
Às Forças de Defesa e Segurança, os líderes exortam que mantenham a segurança e ordem pública antes, durante e depois das eleições para permitir a participação livre e igual de todos os cidadãos, nomeadamente partidos, coligações de partidos políticos, candidatos, militantes, simpatizantes e população em geral.
“Zelar pela segurança e ordem pública antes, durante e depois das eleições com total imparcialidade, transparência e neutralidade em relação aos interesses político partidários; Abster-se de comportamentos suscetíveis de pôr em causa os direitos e liberdades fundamentais dos candidatos e cidadãos em geral”, são dos apelos que constam na carta conjunta.
Preocupados com o desenrolar do processo eleitoral, os liderem pedem que as forças da defesa e da segurança conservem a sua neutralidade e equidistância aos interesses político-partidários em observância absoluta à Lei.
Aos fiéis católicos, muçulmanos, evangélicos, seguidores da religião tradicional, o apelo que “nos unamos em oração diante do Deus único, o Altíssimo, Senhor e Criador da Terra e do Céu. Rezemos com insistência e com fé pelo nosso País, pelo seu povo e pelos nossos governantes e pela PAZ”.
“Que Deus Todo-Poderoso e cheio de Misericórdia ajude a transformar as nossas mentes e os nossos corações, volte para nós o Seu rosto e abençoe a Guiné-Bissau”, aclamam.
Faltam os exatos 29 dias para a realização das eleições legislativas, e os líderes religiosos da Guiné-Bissau consideram as eleições de 04 de Junho como um acontecimento importante e altamente significativo para a vida deste país.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos
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