ESTADO DE ABANDONO E ISOLAMENTO LEVA A CASTANHA DO PAÍS PARA CONACRI
O presidente da Associação de Jovens Unidos de Boé “AJUFAB” anunciou, esta terça-feira (16), que toda a castanha de Caju de Boé (leste do país) da presente campanha será vendida na república da Guiné-Conacri
Em entrevista exclusiva á Rádio Sol Mansi (RSM), Mamadu Bente Djaló, justifica a posição da população da zona pelo facto de o sector estar completamente abandonado e ao mesmo tempo isolado sem meios para escoar o produto para Bissau.
Bente Djaló avança que a posição já foi transmitida ao presidente da república, José Mário Vaz.
“Nos já informamos o presidente da república durante o nosso encontro que nós todos vamos vender a nossa castanha na Guiné-Conacri, porque não temos transporte, estradas, ou seja estamos completamente esquecidos no isolamento, estamos determinados em desafiar ordens contrárias”, afiança Bente Djaló.
O presidente da associação diz ainda que a população das 84 tabancas que compõem o sector de Boé não vai viver com fome enquanto têm castanha de Caju “muito procurado pela vizinha Guiné-Conacri num preço de 1500 francos CFAS”.
O Responsável diz ainda que o sector berço da independência depara com muitas dificuldades principalmente da invasão dos guineenses de Conacri a algumas tabancas históricas da localidade.
“O sector inteiro conta apenas com dois hospitais, um médico e uma parteira. Não temos escola, água potável, estradas e muito menos rede de comunicação móvel”, lamenta.
Bente Djaló denuncia ainda que várias tabancas históricas de Boé são agora ocupadas pelos guineenses de Conacri.
O presidente de AJUFAB manifesta-se, por outro lado, contra a criação das áreas protegidas em Boé. Na sua opinião a iniciativa só vem piorar as dificuldades com que se deparam as populações da zona, tendo em conta que “o Instituto da Biodiversidade e Áreas Protegidas quer limitar as populações de beneficiar dos seu próprios recursos que há vários anos sustentam aquela população abandonada”.
Para finalizar Mamadu Bente Djaló responsabiliza a deputada Aba Cera, por não ter estado a levar as preocupações das populações a entidades competentes.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Amadu Uri Djalo
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