"DESNUTRIÇÃO PODE AGRAVAR NOS PRÓXIMOS TEMPOS", alerta a nutricionista Isabel Almeida
A situação da desnutrição crónica na Guiné-Bissau pode agravar nos próximos tempos com tendência mais nas crianças e mulheres gravidas.
A situação também deve atingir outras faixas etárias devido a situação da pandemia da covid19.
Antes da declaração da pandemia, a Guine Bissau figurava na lista dos países com alta taxa da desnutrição as região de Oio com 44 por cento de crianças nessa situação, Bafatá 40%, Biombo 38%, Gabú 37% e Tombali 33% de taxa de desnutrição crónica.
Com o surgimento da pandemia, a situação pode agravar ainda mais tendo em conta os factores das restrições impostas pelas autoridades para prevenir a propagação da doença, um outro factor que pode influenciar tem a ver com o comprometimento da presenta campanha de castanha de caju.
Isabel Maria Garcia de Almeida, nutricionista guineense entrevistada esta quarta-feira pela Rádio Sol Mansi, disse que “é esperado que a situação venha agravar nos próximos tempos e justificou que mesmo em situação normal, o país já registava dados alarmantes, e com situação actual, as pessoas serão obrigados a comer menos, não só em termos de quantidade mas também em termos de número de vezes e qualidade de consumo”.
“Numa situação normal já temos estes dados que não são nada bom, então se há qualquer problema que afecta e agrava a situação, isso quer dizer que, as pessoas terão que comer menos ainda não só em termos de quantidade como em termos de número de vezes e qualidade dos alimentos, isso significa que se for restringido mais a alimentação, vai reflectir no estado da nutrição”, aconselhou.
Para Isabel de Almeida, apesar da tendência apontar para todas as faixas etárias, as crianças são as que podem vir a sofrer perante esta situação.
“Tendência é para todos porque se há restrições todos são afectados, mas os que mais sofrem são as crianças porque não têm autonomia de decisão, aceitam o que lhes é dada, crianças que já deixaram de tomar leite das mães e que não completam dois anos e não podem alimentar normal como as pessoas adultas são os que mais sofrem”, observou.
A nutricionista alerta ainda que em caso do comprometimento da presente campanha de caju, a maioria da população sobretudo camponês, serão obrigados a consumir as reservas das sementeiras destinadas a produção no próximo ano agrícola, e isso segundo ela, pode agravar a situação de fome nas comunidades nos próximos anos, e contribuir para o aumento ainda mais da denutrição.
Neste sentido aconselha o governo à poiar os camponeses a produzirem alimentos de ciclo curto para evitar agravamento da situação da fome no país durantes os próximos tempos.
O ultimo relatório revela desnutrição crónica em mais de 30 por cento das crianças 6 a 13 anos.
O governo aprovou em 2019 a proposta de estabelecimento de dia 18 de Dezembro como dia Nacional da Nutrição, demostrando assim a vontade política e o compromisso perante a população guineense de acabar com a desnutrição crónica e melhorar o sistema nutricional.
Por: Amadi Djuf Djaló
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