CRIANÇAS DE 3 ANOS DE IDADE COLOCADAS NAS RUAS A PEDIR ESMOLA e MAIOR PREVALÊNCIA É NA ZONA LESTE
O presidente da Associação Guineense da Luta contra a Migração Irregular e Tráfico dos Seres Humanos, Suleimane Embaló, disse que a Região de Gabú e de Bafatá (leste da Guiné-Bissau) continuam a apresentar a maior percentagem das crianças pedintes nas ruas.
Os dados foram anunciados, neste sábado, na edição do Programa semanal da Rádio Sol Mansi “Tchintchor, na ronda” onde o tema foi “a situação das crianças talibés e que medidas devem ser tomadas” para sua redução na praça pública. Suleimane Embaló disse que estes dados foram conseguidos durante um inquérito feito recentemente em algumas regiões do país.
Segundo este responsável, a cidade de Bissau concentra o maior número de Talibés, mas em termos dos números, a região de Gabú apresenta 221 número de crianças e Bafatá apresenta 58.
“A região de Gabú apresenta maior percentagem das crianças pedintes de esmola. Mas aqui em Bissau inquirimos um total de 304 crianças e entre elas 58 são de Bafatá, de Gabú são 221 crianças, de Cacheu são um total de 6 crianças, Oio 4, Quinará 2 e da Guiné inquirimos 58”, explica Suleimane garantindo, no entanto, que a maioria destas crianças são filhos de pais da Guiné-Bissau.
Um outro caso preocupante, disse Suleimane Embaló, é a zona norte e sul, concretamente as regiões de Oio e Tombali. Ele disse que nestas zonas deparam-se, além de trabalho infantil, com o tráfico dos seres humanos.
O presidente da Associação Guineense da Luta contra a Migração Irregular e Tráfico dos Seres Humanos disse que entre as crianças o número maior se figura entre as faixas etárias de 3 a 5 anos de idade, onde eles são obrigados a percorrer quilómetros a pedir esmola.
“Chega a ser exagero, mas já deparamos com crianças de 3 anos de idade nestas situações. Para terem noção, podem deslocar em frente à Assembleia Nacional Popular (parlamento) e lá verão a prova disso. O nosso ponto focal em Gabú reportou-nos que uma criança de 3 anos de idade caminha d quilómetros diariamente para pedir esmola”, denuncia.
Ele disse que existem casos de adolescentes de até 17 anos de idade, mas que os “mestres corânicos” acabam por não ter controlo sobre eles e tornam adolescentes violentos e entram em delinquência.
“Isso cria impacto negativo para a sociedade, porque estas crianças já estão acostumadas com o dinheiro e se forem tiradas nas ruas voltam para as suas casas, deparam com situações diferentes e a alternativa encontrada é a delinquência e violência”, lamenta.
Suleimane disse que existem muitas leis no país e que igualmente existem várias convenções ratificadas, mas existe a sua pouca aplicabilidade, “porque, caso contrário esta situação seria controlada”.
A situação das crianças Talibés continua a ser preocupante no país. Esta situação acontece aos olhos de quem realmente tem a responsabilidade de proteger estas crianças, em situações de exploração de trabalho infantil e de tráfico dos seres humanos.
A Associação Guineense da Luta contra a Migração Irregular e Tráfico dos Seres Humanos, denuncia que a maioria das escolas corânicas funciona sem a inspeção das autoridades competentes da Guiné-Bissau.
Recentemente, na zona sul, uma escola corânica foi fechada, porque as autoridades descobriram crianças em situações desumanas e algumas em risco de vida, na zona norte, algumas crianças foram intercetadas, porque andam dezenas de quilómetros para pedir esmola.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos
Imagem: Internet
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