Covid 19: NAS ÚLTIMAS 48 GUINÉ-BISSAU NÃO RELATA NENHUM CASO
Nas últimas 48 horas, os dados oficiais das pessoas infectadas pelo coronavírus no país mantém-se em 33. Há 2 dias que os exames não estão a ser feitos devido a capacitação dos técnicos dos laboratórios em todo o território nacional.
A revelação feita, hoje (08), pelo técnico do Laboratório Nacional da Saúde Pública durante a conferência de imprensa do boletim diário para actualização da Covid-19 na Guiné-Bissau, feita pela Comissão Técnica Interministérial de Combate a Coronavírus em colaboração com o Centro de Operação de Emergência em Saúde.
De acordo com o médico guineense, Aladje Baldé, neste momento estão a ser analisadas amostras dos dois últimos dias e ainda hoje (08) os resultados vão ser conhecidos.
O médico avisou por outro lado que os próximos dias serão cruciais para conter a propagação do vírus no país.
“É importante que as recomendações que estão ser transmitidos pelos técnicos de saúde sejam respeitadas para conter a sua disseminação”.
Aos utentes dos mercados que continuam a aglomerar sobretudo em Bissau, sem respeitar as recomendações que estão a ser difundidas, Tumane Balde, porta-voz da Comissão Técnica Interministerial de Combate a Coronavírus, alertou sobre a importância da utilização das mascaras.
No país, as medidas de prevenção da Covid 19 ainda não estão a ser cumpridas na sua totalidade. As fronteiras continuam fechadas mas as pessoas continuam a entrar ao país por vias clandestinas fugindo dos olhos das autoridades de segurança e de defesa colocadas no terreno.
A maioria dos centros hospitalares do país, principalmente no interior, não tem condições materiais de logísticas para receber os possíveis casos do Coronavírus no país. A maioria não tem nem termómetro e nem condições logísticas.
A Covid 19 é enfrentada no país com sistema de saúde fragilizado.
O estado de emergência prolonga-se até ao dia 11 corrente. Enquanto isso, a vida continua como se nada tivesse acontecido. Os mercados são abertos das 7h as 11 horas «da Guiné-Bissau» e as pessoas aglomeram sem mínimas medidas de protecção e incluindo o suso de mascaras ou respeito ao distanciamento.
Nos supermercados e bancos comerciais as regras de distanciamento são cumpridas só no interior, mas no recinto vê-se aglomeração de pessoas que outrora ficam coladas.
Bafatá, leste do país
A reportagem da Rádio Sol Mansi (RSM) deslocou, ontem (07), a fonteira de secção de Sare Bacar, pertencente ao sector de Contuboel, região de Bafatá. A população local denuncia que, apesar do anúncio do estado de emergência e consequente fecho das fronteiras do país, ainda continuam a entrar no país pessoas provenientes das zonas já contaminas pelo coronavírus
As pessoas ouvidas dizem que não existem forças de segurança e defesa suficientes para impedir a entrada das pessoas até porque existem vários caminhos clandestinos. Por isso, pedem engajamento das autoridades para ajudar a controlar a situação.
As forças de segurança ouvidas pela nossa reportagem, confirmam que as pessoas ainda continuam a entram nos caminhos clandestinos na fronteira.
Suleimane Baldé, responsável de segurança da referida seção, disse que não foram apetrechados com materiais necessários para fazer face a situação e nem materiais de protecção pessoal e, no entanto, lamenta ainda que nem o centro de saúde de Sare Bacar tem materiais de combate ao coronavírus, incluindo o termómetro.
“Não temos meios e as vezes pedimos emprestado bicicletas da população para deslocar à fronteira. Existem muitos caminhos clandestinos aqui e muitas vezes recebemos informações das pessoas que entram clandestinamente mas ficamos de mão atadas porque não temos meios para locomoção. Também não temos nem mascaras e nem luvas”.
Entretanto, a população desta zona disse que já estão a passar fome porque consomem o arroz comprado no Senegal. Por isso apela a autoridade nacional a enviar alimentos da primeira necessidade porque vivem dos produtos importados do Senegal.
São Domingos, norte do país
Em são Domingos, que faz fronteira com a vizinha Senegal, também as pessoas continuam a entrar ao país através de vários caminhos clandestinos. Na noite passa dezenas de pessoas entraram ao país mas apenas duas foram presas pelas autoridades policiais e agora estão em isolamento.
Uma fonte junto do Comissariado local, uma das pessoas em isolamento é da nacionalidade Nigeriana e a outra está sem identificação e ainda não se sabe da sua nacionalidade.
Ouvido pela nossa reportagem, o enfermeiro chefe do hospital “Bacar Mané” de São Domingos, Mário Júlio Mango, disse que deparam com várias dificuldades para fazer face a problemática da Covid 19 porque o hospital não tem espaço necessário.
“Como poderemos alimentar estas pessoas por 14 dias em quarentena”, questiona.
Bula, norte do país
Em Bula, zona norte do país, sobe para 5 pessoas colocadas em quarenta. Porque ontem (07), mais duas pessoas foram interceptadas ao entrar no país.
A enfermeira do centro de Bula, Paulina Gomes Butundé, lamenta a falta de materiais para fazer face a doença e ainda de protecção individual do centro de saúde local.
“Não temos máscaras apropriadas para o combate ao Coronavírus”
A responsável denúncia de nesta época da castanha de caju, existem pessoas vindas do Senegal e Conacri que dormem nas matas na tentativa de entrar no território nacional.
Cacine, sul do país
Cacine, sul do país, região de Tombali, que faz fronteira com a República de Conacri, a população denuncia que ainda várias pessoas continuam a entrar ao país, através de vários caminhos clandestinos. A população das duas zonas vive das pescas e de trocas de produtos.
Os populares denunciam que muitos caminhos clandestinos ainda continuam desprotegidos e as forças de segurança não têm condições de cobrir toda aquela zona.
Sector Autónomo de Bissau
Em Bissau, as medidas de protecção contra Covid são ignoradas em parte. Mesmo depois do período de circulação anunciado pelo governo de Nuno Gomes Nabiam, embora reduzidas, as pessoas continuam nas ruas e nos bairros os jovens continuam agrupados como se nada tivesse acontecido.
Mesmo entre as autoridades vê-se pouco uso das mascaras e as forças de segurança continua a vigilância das ruas, na maioria, sem luvas e máscaras.
A Guiné-Bissau continua a ser o país mais afectado do PALOP, 33 pessoas testaram positiva da covid-19, mas sem óbito. Segundo dados actualizados pelo Centro de Controle de Doença da União Africana (CDC Africa), há 73 pessoas infectadas e três mortes confirmada pelas autoridades dos PALOP.
A Covid-19 tem se propagando com rapidez pelo continente africano, elevando o número de infectados para 10,5 mil e as mortes para 535. Centro de Controlo e Prevenção de Doença da União Africana contabiliza 1096 pacientes recuperados
Por: Elisangila Raisa dos Santos / Braima Sigá
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