Atualizado: AGNELO REGALA DIZ QUE FOI BALEADO A MANDO DE QUEM QUER SILENCIAR AS VOZES DA DEMOCRACIA NO PAÍS
O líder do Partido da União para a Mudança (UM) e igualmente deputado da nação, Agnelo Regala, afirma que a tentativa de assassinato que sofreu, ontem (07), não passa de uma motivação politica de quem quer calar aqueles que defendem a democracia.
Agnelo Regala foi atingido a tiro na perna esquerda, na noite de sábado, por um grupo de pessoas encapuçadas não identificado que, segundo fontes, desparrou 08 tiros durante a operação.
Em declaração à imprensa sobre o corrido, o líder da UM, sem referir nomes, afirma ser uma pessoa tranquila, calma e não teve problemas com ninguém por isso a única motivação para o ato é a política de quem calar as vozes daqueles que pretendem defender a democracia.
“É a única motivação que vejo”, reafirma Agnelo Regala.
Apesar de afirmar não ter recebido alguma ameaça, Regala confirma que recebeu informações sobre as ameaças contra alguns membros do espaço de concertação dos partidos políticos. Segundo ele, as ameaças começaram logo após a realização da conferência de imprensa da passada quinta-feira.
“Nós não temos o medo de dizer a verdade e vamos continuar a denunciar aquilo que não servem para os interesses da Guiné-Bissau. Se isso é crime ou pecado, não sabemos. A única certeza que temos é que nós continuaremos a defender aquilo que são as nossas convicções e a lutar para que a democracia esteja presente na Guiné-Bissau”, disse o líder da UM.
Agnelo Regala disse que “não vamos permitir a implantação da ditadura no nosso país e em nenhuma circunstância”.
“Não vamos ter medo e não vamos nos esconder”, líder do PAIGC
Em reação ao ocorrido, o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, confirma que a tentativa do assassinato do líder da UM está ligada diretamente ao posicionamento do espaço de concertação dos partidos políticos face a situação atual do país onde também o grupo dos partidos políticos afirmou que o “incumprimento da lei” no processo de envio de uma missão militar para o país pode configura coma uma invasão pelas forças da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO).
Domingos Simões Pereira denuncia ainda que depois deste posicionamento vários membros do espaço de concertação receberam telefonemas anónimos de ameaças às suas integridades físicas e dos seus familiares.
“Para mim há nada de extraordinário. A vida na Guiné passou a ser isto e basta não estar de acordo e usar aquilo que é prorrogativo constitucional para se atentar à integridade física das pessoas”, sustenta.
Para Domingos Simões Pereira o ato contra a integridade física do Deputado Agnelo Regala é um atentado contra a soberania do país, não obstante, ter manifestado a determinação do espaço em continuar sua luta
“Não vamos ter medo e não vamos nos esconder. Estamos cá e que continuem a disparar porque um dia o povo realmente acordar e vamos perceber que tem que enfrentar este regime e tem que pôr termo a esta situação”, enfatiza.
Na semana passada Agnelo Regala denunciou a intenção do presidente da República em derrubar Assembleia Nacional Popular (parlamento).
“É preciso pôr cobro a esta situação imediatamente”, LGDH
Entretanto, a Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) desafia o primeiro-ministro e o presidente da República a assumirem as suas responsabilidades para a identificação dos autores de vários atos contra a vida dos cidadãos guineenses.
Augusto Mário da Silva referia a tentativa de assassinato contra o líder UM. Para Augusto Mário da Silva a assunção desta responsabilidade passa necessariamente pela identificação dos atores “desta” e “de outras” práticas que já aconteceram aqui, à sua tradução à justiça e consequente responsabilização.
“Isso é que vai fazer voltar a confiança dos cidadãos nas instituições da República e nas entidades políticas que nós elegemos”, aponta.
O presidente da LGDH disse ainda que alimentar “as melícias para intimidar as pessoas é uma primeira fase que parece que tudo corra ao seu favor mas, isto depois foge do seu controlo e implanta-se o estado de terror, de caus e de violência generalizada e ninguém consegue viver ou trabalhar neste país”.
“É preciso pôr cobro a esta situação imediatamente”, pede o presidente da LGDH.
Augusto Mário da Silva também não desassocia o atentado contra Agnelo Regala ao posicionamento na semana passado do espaço de concertação dos partidos políticos em relação à situação da vinda da missão militar da CEDEAO
Para Augusto com o ato pretende-se enviar uma mensagem sobre “vocês não devem se pronunciar sobre assuntos tidos como delicados da Guiné-Bissau”.
O presidente da UM foi baleado, na noite de ontem (07 de Maio), na sua residência, em Bissau, por pessoas ainda por conhecer e na sequência Agnelo sofreu ferimentos graves e precisou ser tratado com urgência. Neste momento, informações dão conta que ele está fora do perigo de vida.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos
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