GUINÉ-BISSAU REGISTA UM CRESCIMENTO ECONÓMICO POSITIVO DE 5% EM 2024 E ESPERA-SE QUE ATINJA 5,6% EM 2025, diz o relatório do BAD
A Guiné-Bissau registou um crescimento económico positivo de 5% em 2024, contra 4,4% em 2023, quando o crescimento é esperado em 5,6% em 2025, e depois 5,8% em 2026.
A informação consta do relatório país 2025, do Banco Africano para o Desenvolvimento (BAD) sobre a Guiné-Bissau, lançado esta quinta-feira em Bissau.
Esta dinâmica, segundo o relatório que a rádio Sol Mansi teve acesso, é impulsionada pela agricultura, pela indústria agroalimentar, pela recuperação dos serviços, em particular das telecomunicações, graças à expansão das infraestruturas digitais, assim como por reformas que reforçam a estabilidade macroeconómica.
O país prossegue os seus esforços de consolidação orçamental previstos para 2026, reduzindo o défice para 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, contra 8,6% em 2023, mas persistem incertezas, relacionadas com o comércio mundial, a volatilidade da ajuda externa, os riscos climáticos e as tensões financeiras regionais, que podem travar o ímpeto de crescimento.
Ao presidir o ato, o diretor-geral do Plano, Issa Jandi afirmou que o relatório trouxe inovações com taxas de crescimento que saiu de 4,8 para 5 %, inflação caiu para 7,2% e o investimento no setor privado, aumentou cerca de 16%.
“ (..) O relatório não trouxe só progresso, mas também desafios como endividamento. Infelizmente a Guiné-Bissau continua com uma taxa de endividamento sobre PIB considerado elevado porque está acima das normas de convergência admitidas pela UEMOA, que é de 70%”, advertiu.
Por outro lado, sublinhou que a arrecadação dos fundos interno está muito baixo, apontando como solução a implementação efetiva do IVA.
“ O relatório traz várias recomendações, começando pela implementação efetiva do imposto IVA, que ao nível dos decisores políticos, deve ser aproveitada para melhorar o indicador macro-económico”, aconselhou.
Na Guiné-Bissau, aponta o relatório, as necessidades anuais de financiamento educativo são estimadas em 125,75 milhões de dólares até 2030, com um défice de cerca de 46,6 milhões de dólares por ano, portanto, é necessária uma reforma estrutural, investir na educação e no desenvolvimento de competências, porque investir numa educação de qualidade é essencial para estimular o crescimento, reforçar a produtividade e construir um capital humano competitivo.
Em termos da posição externa e fluxos financeiros externos, a “ performance da conta externa da Guiné-Bissau melhorou em 2024, graças à recuperação das exportações de cajus e à diminuição das importações. As exportações de bens (FOB) estabilizaram-se em 11,2% do PIB, dominadas pelo caju (9,9%). Paralelamente, as importações diminuíram para 17,9% do PIB, principalmente devido à queda dos produtos alimentares, reduzindo o défice comercial para -6,7% do PIB. A conta corrente assim se fortaleceu, passando de -8,0% do PIB em 2022 para -5,8% em 2024”.
No entanto, os investimentos diretos estrangeiros (IDE) permanecem modestos (1,2 % do PIB), abaixo da média regional, devido a um clima de negócios pouco incentivador. Por outro lado, as remessas da diáspora (6,1 % do PIB) apoiaram o consumo interno e atenuaram a fraqueza da poupança nacional.
“ O desempenho da conta externa da Guiné-Bissau melhorou em 2024, graças à recuperação das exportações de anacardos e à diminuição das importações. As exportações de bens (FOB) estabilizaram-se em 11,2% do PIB, dominadas pelo anacardo (9,9%). Paralelamente, as importações diminuíram para 17,9% do PIB, principalmente devido à redução dos produtos alimentares, reduzindo o défice comercial para -6,7% do PIB. A conta corrente assim se fortaleceu, passando de -8,0% do PIB em 2022 para -5,8% em 2024” lê-se no relatório.
Por. Nautaran Marcos Co
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