Fórum Africano de Ciência. ÁFRICA CONTINUA A ENFRENTAR LACUNAS SIGNIFICATIVAS EM TERMOS DIGITAIS E DE INOVAÇÃO

O Secretário Executivo da Comissão Econômica para a África (ECA), destacou a necessidade de a África agir com urgência, coordenação e ambição para aproveitar a ciência, a tecnologia e a inovação digital como motores da transformação económica, da inclusão e do desenvolvimento sustentável.

Claver Gatete, diz ainda que para a África, a margem para atrasos desapareceu; o custo da inação está aumentando. As escolhas que fizem hoje determinarão se acompanharão a próxima onda de transformação global ou se a perderão completamente.

Gatete alertou que, apesar das oportunidades apresentadas pelas tecnologias emergentes, a África continua a enfrentar lacunas significativas em termos digitais e de inovação. “ O uso da internet no continente era de apenas 36% em 2025, com divisões persistentes entre áreas urbanas e rurais e entre homens e mulheres. A África também representa apenas 0,6% dos pedidos de patentes globais, apesar de constituir quase um quinto da população mundial”.

O responsável discursava no Oitavo Fórum Africano de Ciência, Tecnologia e Inovação inaugurado no domingo, antes do 12º Fórum Regional Africano sobre Desenvolvimento Sustentável, em Adis Abeba, com apelos para ações coordenadas a fim de acelerar o progresso na Agenda 2030 e na Agenda 2063.

O Fórum, realizado sob o tema “Alcançando progressos rumo à Agenda 2030 e à Agenda 2063 por meio de ações transformadoras e coordenadas em ciência, tecnologia e inovação digital”, reuniu ministros, altos funcionários, representantes da União Africana e do sistema das Nações Unidas, líderes do setor privado, acadêmicos e membros da sociedade civil.

“ Estes são sinais de potencial inexplorado, mas também de lacunas urgentes que devemos colmatar”, afirmou, salientando que a questão central que o continente enfrenta é se a África se irá simplesmente adaptar às tecnologias desenvolvidas noutros locais, ou se desempenhará um papel decisivo na definição de como essas tecnologias são concebidas, geridas e implementadas.

Sublinhou que a ciência, a tecnologia e a inovação não são aceleradores opcionais do desenvolvimento, mas sim a base sobre a qual o progresso rumo à Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e à Agenda 2063 da União Africana será construído ou estagnado.

destacou exemplos práticos que já demonstram o poder transformador da inovação em todo o continente. “No Quênia, tecnologias agrícolas inteligentes em relação ao clima estão aumentando a produtividade das colheitas e reduzindo os custos de insumos. Em Ruanda, sistemas de entrega de medicamentos por drones reduziram o desperdício e os tempos de falta de estoque, transformando as cadeias de suprimentos de saúde”.

Para transformar a inovação em uma transformação abrangente, Gatete delineou cinco prioridades estratégicas para a África.

Em primeiro lugar, afirmou, “a África deve alinhar a ciência, a tecnologia e a inovação com sua agenda de transformação económica para garantir que a inovação se traduza em produção, agregação de valor e criação de empregos”. citou exemplos das cadeias de valor industrial do Marrocos nos setores automotivo e de energias renováveis, e o uso de manufatura avançada e ferramentas digitais na África do Sul.

Em segundo lugar, defendeu o investimento acelerado em infraestrutura pública digital, incluindo identidade digital, pagamentos interoperáveis ​​e plataformas de dados confiáveis. Segundo ele, esses sistemas são essenciais para ampliar a inovação e aprimorar a prestação de serviços, como demonstram os exemplos do Egito, Gana e Botsuana.

Em terceiro lugar, Gatete instou os países africanos a desenvolverem competências essenciais para o futuro em larga escala, particularmente nas áreas da ciência, engenharia, inteligência artificial e tecnologias emergentes. Afirmou que a população jovem de África representa um recurso extraordinário, mas apenas se os sistemas educativos estiverem alinhados com as necessidades da economia digital e se as mulheres e os jovens forem plenamente incluídos.

Em quarto lugar, enfatizou a importância de uma coordenação regional e continental mais profunda, observando que a inovação não pode ser ampliada em mercados fragmentados. Por meio da Área de Livre Comércio Continental Africana, a África tem uma plataforma para expandir soluções digitais, harmonizar regulamentações e desenvolver cadeias de valor regionais em áreas como produtos farmacêuticos e serviços digitais.

Em quinto lugar, defende que a África precisa garantir energia confiável, acessível e sustentável para impulsionar sua transformação digital. Centros de dados, infraestrutura digital e tecnologias emergentes consomem muita energia e, sem energia limpa e confiável, as ambições digitais do continente permanecerão limitadas.

“Investir em sistemas de energia não é algo separado da agenda digital, é fundamental para ela”, enfatizou.

Destacou a importância da próxima consulta regional sobre governança da IA, afirmando que ela oferece à África uma oportunidade crucial para moldar as normas globais e garantir que as tecnologias emergentes reflitam as realidades, prioridades e aspirações do continente.

“As decisões que tomarmos aqui e as parcerias que formarmos determinarão se a África entrará na próxima década como consumidora de inovação ou como contribuinte de soluções para o mundo”, disse Gatete.

Em seu discurso de abertura, Belete Molla, Ministro da Inovação e Tecnologia da Etiópia, vinculou ciência, tecnologia e inovação à sustentabilidade, citando o trabalho da Etiópia em reflorestamento, mobilidade elétrica, inteligência artificial, infraestrutura de dados e tecnologias emergentes, incluindo aplicações pacíficas da ciência nuclear para o desenvolvimento nas áreas de energia, agricultura e saúde. Ele enfatizou que a CTI (Ciência, Tecnologia e Inovação) deve ser tratada como uma ferramenta prática de desenvolvimento, e não como um ideal abstrato ou um luxo reservado aos países desenvolvidos.

Entre os participantes de alto nível, destacam-se Rita Bissoonauth, Diretora do Escritório de Ligação da UNESCO em Addis Abeba junto à União Africana e à CEA e Representante da UNESCO na Etiópia, e Saidou Madougou, Diretor do Departamento de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação da Comissão da União Africana.

Por: Nautaran Marcos Có

  • Created on .

Escreva à RSM

email

Entre em contato com a Rádio Sol Mansi.

Continuar

Ajuda RSM

helpContribua para a manutenção dos nossos equipamentos e a formação da nossa equipa.

Ajuda

Subscreva notícias

© Radio Sol Mansi
Cookie Policy | Privacy Policy

Web engineering and design by Sernicola Labs

Questo sito fa uso di cookie per migliorare l’esperienza di navigazione degli utenti e per raccogliere informazioni sull’utilizzo del sito stesso. Leggi di più