ESCALADA CONTÍNUA DO CONFLITO AGRAVA A INSTABILIDADE GLOBAL, COM SÉRIAS IMPLICAÇÕES PARTICULARMENTE NA ÁFRICA

O Presidente da Comissão da União Africana (CUA) afirma que a escalada contínua do conflito no médio oriente agrava a instabilidade global, com sérias implicações para os mercados de energia, a segurança alimentar e a resiliência económica, particularmente na África, onde as pressões económicas permanecem agudas.

Mahmoud Ali Youssouf falava à margem da 58ª Sessão da Comissão Económica para a África, em Tânger, Marrocos, onde os representantes das quatro instituições, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), a Comissão da União Africana (CUA), o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e a Comissão Económica das Nações Unidas para a África (UNECA) debatiam as implicações do conflito para as economias africanas e destacam as principais conclusões e recomendações do relatório a ser publicado.

O ambiente económico global tornou-se cada vez mais volátil, com o aumento da frequência de grandes choques em todo o mundo. Em meio à alta dos preços de energia, alimentos e fertilizantes causada pelo conflito em curso no Oriente Médio, as quatro instituições apresentam um relatório com recomendações práticas para respostas a crises e fortalecimento da resiliência nos países africanos.

O relatório destaca que os choques atuais estão se propagando mais rapidamente e por canais mais concentrados do que as perturbações globais do passado, deixando as economias africanas com pouco tempo para se ajustarem. Seus efeitos já estão afetando as economias e as famílias africanas, exigindo ações políticas rápidas e eficazes.

O documento aponta ainda que os preços globais do petróleo já subiram mais de 50% até o final de março. Vinte e nove moedas africanas se desvalorizaram, aumentando o custo do serviço da dívida externa e da importação de alimentos, combustíveis e fertilizantes. Interrupções no fornecimento de energia no Golfo Pérsico ameaçam o acesso à amônia e à ureia durante o período crítico de plantio, de março a maio, comprometendo a produção agrícola e agravando os riscos de crises e níveis emergenciais de insegurança alimentar, especialmente para famílias de baixa renda e economias dependentes de importações.

Neste sentido, o Subsecretário-Geral da ONU e Secretário Executivo da Comissão Económica das Nações Unidas para a África, Claver Gatete enfatizou que a África foi atingida por muitos choques externos que não provocou, adiantando que “este momento exige uma ação decisiva para proteger as pessoas agora, mas também para acelerar o esforço de longo prazo da África rumo à segurança energética, à soberania alimentar e à autossuficiência financeira. Crises como esta reforçam a necessidade de a África financiar mais o seu próprio futuro e fortalecer soluções regionais que construam resiliência antes que o próximo choque chegue”.

O Subsecretária-Geral da ONU e Diretora do Escritório Regional do PNUD para a África Ahunna Eziakonwa sublinhou que este momento exige liderança, tanto dentro da África quanto por parte de seus parceiros com a combinação certa de escolhas políticas, instrumentos de financiamento e determinação política, a África pode superar este choque e emergir mais resiliente, mais autossuficiente e em melhor posição para moldar seu próprio futuro económico.

O documento apela a uma ação coordenada em três âmbitos:

Medidas imediatas de resposta à crise para amparar as famílias e estabilizar o fornecimento de combustível, alimentos e fertilizantes, implementadas pelos governos africanos com o apoio de parceiros de desenvolvimento e do setor privado.

Reformas de médio prazo para fortalecer a segurança energética, a proteção social direcionada e o comércio regional no âmbito da Zona de Comércio Livre Continental Africana (zlecaf).

Reformas estruturais de longo prazo para uma mobilização mais robusta de recursos internos e redes de segurança financeira africanas, incluindo a implementação acelerada do Mecanismo Africano de Estabilidade do Financiamento.

O Presidente do Grupo Banco Africano de Desenvolvimento, Sidi Ould Tah afirma que com a multiplicação das crises globais, a resposta da África deve evoluir da gestão de choques para o fomento da resiliência.

“As instituições africanas e os parceiros de desenvolvimento precisam agir com rapidez e em conjunto, aproveitando suas vantagens comparativas para amortecer os choques de curto prazo, ao mesmo tempo que lançam as bases para a resiliência a longo prazo”, disse.

Ao fortalecer a integração regional, acelerar as soluções financeiras lideradas pela África e investir decisivamente na resiliência dos setores de energia, alimentação e comércio, o continente pode passar da vulnerabilidade à preparação.

Por: Nautaran Marcos Có

  • Created on .

Escreva à RSM

email

Entre em contato com a Rádio Sol Mansi.

Continuar

Ajuda RSM

helpContribua para a manutenção dos nossos equipamentos e a formação da nossa equipa.

Ajuda

Subscreva notícias

© Radio Sol Mansi
Cookie Policy | Privacy Policy

Web engineering and design by Sernicola Labs

Questo sito fa uso di cookie per migliorare l’esperienza di navigazione degli utenti e per raccogliere informazioni sull’utilizzo del sito stesso. Leggi di più