MARCHA PACÍFICA POR AJUDANTE MORTO É INTERROMPIDA COM GÁS E ESPANCAMENTOS
As forças policiais interromperam, esta quarta-feira, numa manifestação dos motoristas e ajudantes de “toca-toca” da linha Quelele–Bor, recorrendo a espancamentos e ao lançamento de gás lacrimogéneo contra os manifestantes.
O protesto, que teve início por volta das 7 horas da manhã, começou na rotunda de Bor e seguiu até uma localidade denominada de Belém, num percurso de cerca de três quilómetros, em direção à casa da mãe do malogrado.
A marcha, realizada em ato de solidariedade com a família, visava exigir justiça pela morte de um ajudante de “toca-toca” que, segundo testemunhas, foi espancado por homens fardados enquanto trabalhava. O jovem não resistiu aos ferimentos e acabou por falecer no dia seguinte no Hospital Nacional " Simão Mendes".
Durante o percurso ouviam-se gritos que aclamavam pela justiça.
Os participantes da minifestação trajavam de negro, e empunhavam cartazes com a fotografia do jovem malogrado. Ainda se podia observar os agentes das forças policiais encapuzados e armados a controlar a marcha.
Momentos antes das forças policiais começarem com o lançamento de gás lacrimogéneo e a efetuar tiros para o ar, como forma de intimidar e dispersar os manifestantes, Vigário Luís Balanta, coordenador do Movimento Revolucionário "Pó de Terra", afirmou à Rádio Sol Mansi que “não é admissível, num Estado de Direito, fazer justiça com as próprias mãos”.
Um dos participantes da marcha denunciou ainda a detenção de vários manifestantes, alegadamente submetidos a maus-tratos por agentes das Forças de Defesa e Segurança no local, o que impediu a conclusão da manifestação.
Em reação aos acontecimentos, os mesmos jovens integrante da marcha, exigiram a libertação imediata dos colegas, afirmando que as ações das Forças de Defesa e Segurança não vão intimidar os participantes nem silenciar as suas reivindicações.
Até ao momento, as autoridades ainda não se pronunciaram publicamente sobre as detenções nem sobre as acusações de maus-tratos.
Por: Turé da Silva

