Economia: FMI REFORÇA APOIO, MAS ANALISTA APONTA AUMENTO DE VULNERABILIDADES LIGADAS À CONJUNTURA SOCIOECONÓMICA

O analista económico da Rádio Sol Mansi, José Nico Djú, alerta que a economia nacional continua vulnerável a choques externos, o que contribui para o aumento dos riscos associados à conjuntura socioeconómica da Guiné-Bissau.

Ao analisar o mais recente relatório do Fundo Monetário Internacional (FMI), relativo à oitava revisão do Programa de Ajustamento Financeiro no país, que resultou no desembolso de 6,5 milhões de dólares, José Nico Djú chama a atenção para o principal fator de risco: o elevado volume de créditos alargados concedidos pelas instituições financeiras internacionais.

“A economia guineense está exposta a choques externos, o que poderá agravar os riscos ligados à conjuntura socioeconómica do país”, advertiu o economista, acrescentando que esses choques, combinados com a instabilidade política, podem ter efeitos ainda mais nocivos.

Num comunicado divulgado esta terça-feira, o FMI informou que concluiu a consulta ao abrigo do Artigo IV para 2025 e que a finalização da revisão permite o desembolso imediato de 4,73 milhões de Direitos Especiais de Saque (DES), equivalentes a cerca de 6,5 milhões de dólares ou 5,5 milhões de euros.

Em análise feita esta quarta-feira, o mestre em Economia e docente universitário José Nico Djú voltou a alertar os responsáveis governamentais para o aumento contínuo da dívida pública. Segundo ele, qualquer crédito concedido à Guiné-Bissau terá impactos a longo prazo.

“O aumento da dívida deve ser motivo de preocupação para todas as estruturas governamentais”, afirmou o analista, sublinhando que se trata de financiamentos que, embora parcelados, exigem amortização prolongada e comprometem a autonomia financeira do país.

Embora o impacto direto das atuais tensões comerciais globais na Guiné-Bissau seja considerado limitado, o FMI destaca que a economia nacional continua sujeita a riscos significativos de deterioração, especialmente num contexto sociopolítico desafiante, num ano eleitoral e com limitações estruturais.

Nico Djú recomenda às autoridades nacionais que adotem medidas para reduzir os níveis da dívida pública, de modo a permitir que o país possa definir o seu modelo de desenvolvimento, sem interferências externas.

“Apesar da existência de planos de amortização a longo prazo, trata-se, no fundo, de novos encargos que se somam ao já elevado estoque da dívida pública”, concluiu.

O FMI reconhece que "o desempenho do programa alargado foi misto", indicando que "sete dos nove critérios de desempenho quantitativos e três dos quatro parâmetros estruturais para o final de dezembro de 2024 foram cumpridos". A instituição prevê um crescimento económico de 5,1% para a Guiné-Bissau, com uma inflação estimada em cerca de 2%.

O acordo inicial com o Governo guineense foi aprovado pelo Conselho de Administração do FMI em 30 de janeiro de 2023, num montante total de aproximadamente 37,8 milhões de dólares (mais de 33 milhões de euros). Em 29 de novembro do mesmo ano, o Conselho autorizou um aumento de 40% no acesso à quota do país.

 

Por: Ussumane Mané

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