Cimeira de Bissau: ANALISTA SUGERE MAIOR COMPROMISSO COM A DEMOCRACIA NOS PAÍSES MEMBROS DA CPLP
O analista político da Rádio Sol Mansi, Rui Jorge Semedo, destacou hoje que a realização da cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) em Bissau deve servir como um momento de reflexão sobre os desafios da governação democrática no espaço lusófono.
Durante a sua intervenção esta quinta-feira, 17 de julho, Semedo observou que, ao longo dos anos, a organização tem demonstrado limitações em influenciar de forma efetiva a consolidação da democracia entre os seus Estados-membros.
“A CPLP, apesar do seu valor simbólico e cultural, ainda não conseguiu exercer um papel ativo no incentivo à democracia como base da governação. Esta cimeira poderia ser uma oportunidade para repensar esse papel”, afirmou.
O encontro decorre num contexto de tensão política interna na Guiné-Bissau. Esta semana, o Parlamento Nacional, presidido por Domingos Simões Pereira, solicitou o adiamento da reunião, tendo o pedido sido rejeitado pela Assembleia Parlamentar da CPLP, com base no princípio da separação de poderes.
Para Rui Jorge Semedo, essa decisão levanta questões sobre a atuação da organização em cenários de instabilidade.
“A invocação da separação de poderes é legítima, mas também pode ser interpretada como um sinal de afastamento em relação aos desafios reais que alguns países enfrentam”, acrescentou.
A Guiné-Bissau assumiu a presidência rotativa da CPLP até 2027, com o lema “A Soberania Alimentar”, sucedendo São Tomé e Príncipe. Embora o tema seja considerado relevante, o analista defende que outras prioridades, como a estabilidade política e a boa governação, também merecem destaque durante este mandato.
“A soberania alimentar é, sem dúvida, uma prioridade para os países da CPLP, mas este momento também exige que a organização contribua para a criação de condições favoráveis à democracia e ao desenvolvimento institucional”, sublinhou.
Sob o lema “A CPLP e a Soberania Alimentar: Um Caminho para o Desenvolvimento Sustentável”, a Guiné-Bissau propõe colocar a segurança alimentar no centro das políticas comunitárias, promovendo ações que reforcem a produção agrícola, combatam a fome e valorizem os saberes tradicionais.
Por: Ussumane Mané

