Violação dos direitos humanos / Farim: IDOSOS ACUSADOS DE FEITIÇARIA ESPANCADOS POR GRUPO DE PESSOAS
Um grupo de 3 idosos, incluído o comité da tabanca, foram espancados e violentados por pessoas identificadas na aldeia de Udjeki, arredores do setor de Farim, acusados de feitiçaria e, segundo relatos os agressores já foram soltos pelas forças de segurança.
Segundo informações, o caso teria acontecido desde o passado dia 21 de outubro último por volta das 03 horas da tarde, e as pessoas espancadas foram acusadas de estarem a cometer feitiçaria contra um jovem da mesma comunidade, ainda conforme a mesma fonte as pessoas agredidas encontram-se neste momento qui em Bissau a receber tratamento médico, porque correm ainda o risco da própria vida.
O irmão do Comité da tabanca, Mutaro Darame, falando à Rádio Sol Mansi, disse que o irmão foi espancado, porque também foi acusado por um dos idosos torturados no mesmo dia.
“Bateram num homem e colocar meia na sua cara e depois de vários espancamentos este homem chamou o nome do meu tio que é o comité da aldeia, daí grupo de pessoas deslocou para a nossa casa e vandalizou a casa, amararam borracha na sua garganta e depois de vendarem os olhos começaram a bater nele”, explica.
Mutaro denuncia ainda que os infratores já foram libertados sem que a justiça seja feita. No entanto, garante que só neste ano foram cometidos mais de três atos de violação dos direitos humanos na sua tabanca.
“Apelo que a justiça seja feita, porque esta não é a primeira vez; em setembro do ano passado uma pessoa foi acusada de feitiçaria e foi espancada, no mês de agosto deste ano um tio e sobrinho envolvera em briga e o sobrinho espancou o tio com catana na cabeça e agora estamos com este problema de acusação de feitiçaria”, sustenta.
Entretanto, esta situação foi condenada pela Liga Guineense dos Direitos Humanos da Região de Oio. Júlio Ribeiro Djata é o coordenador desta organização defensora dos Direitos Humanos na Região de Oio, acusa o Estado da Guiné-Bissau de ser passivo diante destas situações sendo que esta prática já é recorrente.
“Esta situação já está a ultrapassar a capacidade das autoridades de Farim, porque no ano passado, nesta mesma aldeia, uma pessoa atirou com armas de fogo em outra pessoas e nada foi feito”.
A Liga Guineense dos Direitos Humanos exige que a justiça seja feita, e insta o povo guineense para exigir os seus direitos.
“Estas pessoas devem ser traduzidos à justiça. Foram presos e levados para Farim e o que aconteceu para que estas pessoas fossem soltas”, interrogou Júlio avançando que várias pessoas foram mortas nestas situações e exorta que todos levantem para exigirem os seus direitos.
“Não vamos admitir esta situação”, avisa o aticista dos direitos humanos.
Júlio Djata disse que a situação da violação dos direitos humanos ainda prevalece porque a impunidade prevalece na Guiné-Bissau
“Uma pessoa é presa e chovem telefonemas de Bissau obrigando a sua soltura. As pessoas estão a ser impunes nesta situação. Aqui reina impunidade”, acusa.
Como forma de travar esta situação, o coordenador da Liga Guineense dos Direitos Humanos de Oio incentiva as pessoas a denunciarem sempre atos do género.
A Rádio Sol Mansi sabe que esta situação já é do conhecimento das autoridades policiais, e os acusados já estão em liberdade. Este é mais um caso de violência contra idosos acusados de feitiçaria na Guiné-Bissau, sendo já o ato recorrente e as pessoas ainda aclamam pela justiça.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos
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