Subida de violência: ATAQUES DOS CIDADÃOS GUINEENSES NA DIÁSPORA E REPRESSÃO INTERNA EM DEBATE

Analistas atribuem o aumento dos ataques verificados nas últimas semanas na diáspora, contra membros do governo, embaixador e apoiantes do presidente Embaló, aos sequestros, espancamentos e a proibição da liberdade da oposição e dos seus apoiantes, por parte do atual poder político.
Ao longo dos cinco anos do poder liderado pelo presidente Umaro Sissoco Embaló, há relatos de intimidação, raptos, sequestros, espancamentos e até tiros, contra algumas figuras e vozes opositoras ao regime.
A situação ganhou um novo capítulo nas últimas semanas, com publicações na diáspora indicando que um membro do governo e do corpo diplomático foram atacados por cidadãos comuns.
Em análise a esta onda de agressões, o politólogo e comentador da Rádio Sol Mansi, Rui Jorge Semedo, afirma que, em nenhum momento, se pode comparar os atos de violência entre cidadãos na diáspora, com o que está a acontecer no país, supostamente com o aval do atual poder político.
“Tudo o que está a acontecer na verdade, o primeiro responsável é o atual poder político, porque não soube assumir as suas responsabilidades para garantir a segurança dos cidadãos, em nenhum momento pudemos comparar o que está a acontecer em Bissau, sobretudo ligado ao espancamento e sequestro das pessoas com o que está a acontecer na diáspora, na diáspora o que está a conter é a violência entre os cidadãos e aqui, o que está acontecer é um ato de terror, e cada um nós devemos condenar estes comportamentos”.   
Acusação semelhante foi feita pelo sociólogo Ivanildo Pinto Nancassa, que afirmou que, desde a instalação do atual poder liderado por Umaro Sissoco Embaló, a única estratégia contra as vozes opositoras tem sido a violência, e é isso que está a ter repercussão, levando as vítimas ou os seus alheados a tentarem reagir.
“Deste a instituição deste regime no país, ele tem como estratégia a violência, e o cidadão como vítima está a procurar a forma de proteger e reagir, é o que está a acontecer, ou seja, estamos a falar de que haverá justiça privada”.
Ontem, o Governo, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, pediu às autoridades portuguesas que reforçassem a segurança dos governantes, na sequência de agressões a diplomatas e governantes em Portugal e na Suíça. O chefe da diplomacia disse temer pelos comportamentos observados contra alguns governantes.
Sobre as ondas de violência e o posicionamento do governo, a RSM registou a reação da Liga Guineense dos Direitos Humanos, enquanto organização defensora dos direitos fundamentais.
Segundo Guerri Gomes Lopes, “a Liga sempre condena qualquer tipo de violência”. No entanto, critica a postura do executivo, “pensamos que o governo está sendo incoerente, a solicitar a segurança restrita aos membros do governo e do corpo diplomático, sem garantir proteção à população em geral”.  
No entanto, o politólogo Rui Jorge Semedo entende também que a mesma preocupação do Governo deveria ser estendida aos guineenses que, internamente “estão a ser sequestrados, raptados e espancados, supostamente por atos isolados ou por ordens superiores”.
“Si as pessoas precisam estar livre na diáspora, os membros do governo e representante diplomáticas, internamente também as pessoas precisam viver o mesmo ambiente de liberdade”
O sociólogo Ivanildo Nancassa prevê que a situação continuará a agravar-se e que a única forma de evitá-la é criar condições para que as estruturas judiciais funcionem.
“A situação vai continuar a gravar, e uma das formas que temos efectivamente para fazer face a essa situação é realmente que o país crie as condições para que as estruturas judiciárias funcionem e que o próprio cidadão sente que o Estado enquanto pessoa de bem está a protegê-lo e defender a sua dignidade humana”.  
O chefe da diplomacia, Carlos Pinto Pereira, entende que é da competência das autoridades guineenses tomarem medidas e apela ao apoio do Governo português para que sejam tomadas ou reforçadas as medidas de segurança aos membros do Governo que se deslocam a Portugal em missão de serviço.
Por: Braima Sigá
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