Reportagem especial: AUMENTA NÚMERO DE USUÁRIAS DE TABABÁ E VIDA DE CENTENAS DE MULHERES ESTÁ EM RISCO
Na Guiné-Bissau aumentam-se os números de mulheres que utilizam “Tababá”, o fato e prejudicial à saúde e preocupa os técnicos de saúde. Apesar da advertência, as mulheres acreditam que é um estimulante e um remédio. Ignorância ou não, esta droga é vendida aos olhos de todos.
Tababá é um produto feito à base de tabaco que é introduzido na parte íntima da mulher. Segundo informações, Tababá é utilizada como estimulante sexual e as vezes é utilizada por mulheres com problemas ginecólogos e também por as que sofrem de incontinência urinária.
Há anos que a utilização do “Tababá” preocupa os técnicos de saúde, mas não houve nem melhoria em termos de sensibilização e nem por parte das forças responsáveis para pôr fim a este mal que afeta a vida das mulheres.
O fato, segundo informações, é mais visto na zona leste do país. Por isso, na cidade de Bafatá, a Rádio Sol Mansi falou com as mulheres que utilizam Tababá. Elas dizem que sentem-se bem ao utilizar este produto feito à base de tabaco.
“Eu gosto de Tababá e não consigo ficar sem usá-lo”, disse uma mulher de menos de 30 anos de idade.
“Eu utilizo Tababá há mais de dois anos e sinto-me bem com isso”, afirma uma outra mulher de idosa.
As outras dizem que sabem do risco que correm, mas ainda utilizam o Tababá há anos e isso faz bem e já conseguem parar, porque “ajuda a acalmar e é refrescante”.
No entanto, estas afirmações preocupam a responsável de serviço de maternidade de hospital regional de Bafatá. Sofia Moreira Costa noticia disse que o fato é prejudicial e pode afetar o aparelho reprodutivo da mulher.
“As usuárias deste produto sofrem de consequências graves e muitas já sofreram o aborto. Este produto pode ter consequências até na vida dos filhos. Crianças e até idosas usam este produto que atua como uma droga. Tababá não deve ser usado por ninguém”, lamenta.
Para entender ainda o impacto do uso desta droga na vida da mulher, a Coordenadora de casa das mães de Diocese de Bafatá, Maria Pedro Gomes, confirma que 15 por cento das mulheres recebidas no centro são as usuárias do Tababá.
Ela denuncia que esta droga é vendida nas ruas, aos olhos de todo o mundo.
“Esta é uma preocupação que temos aqui e já presenciamos vários casos. Esta prática já foi longe de mais e existem pessoas que vendem este produto até no portão principal do hospital aqui em Bafatá”, sustenta Maria afirmando que a maioria dos casos de aborto espontâneo é das usuárias da droga.
Entretanto, padre Alberto Zamberlletti, diretor do departamento de saúde da diocese de Bafatá, adverte que este produto aumenta infeção e durante o ato sexual pode provocar feridas dentro da vagina.
O médico lembra ainda que Tababá pode provocar até cancro de colo do útero e a infertilidade.
“Tababá é um nome muito vulgar de mistura do tabaco e cinza e por vezes são adicionadas plantas tradicionais que as mulheres introduzem na vagina para conseguirem ter alguns efeitos e as outras acreditam que é um estimulante sexual, e outras acreditam que curam doença e ajuda num parto normal”, explica alertando que fato prejudiciais à saúde da mulher.
Este fenómeno não é de hoje. Há anos, o país tem deparado com várias denúncias de mulheres com complicações de saúde e que utilizam o Tababá, um produto feito à base de tabaco e cinza introduzido na vagina.
Em caso de qualquer alteração na saúde, os médicos aconselham um tratamento com ginecólogo.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Iaia Quadé
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