“NOVO GOVERNO REFORÇA INFLUÊNCIA DE SISSOCO EMBALÓ”, afirma analista político
O politólogo guineense Rui Jorge Semedo afirmou hoje (11-08) que o novo elenco governamental, liderado por Braima Camará, mantém uma forte influência do Presidente Umaro Sissoco Embaló, em detrimento da autonomia do primeiro-ministro.
O novo governo, anunciado na noite de domingo, apresenta poucas alterações em relação ao anterior, chefiado por Rui Duarte Barros. Ao todo, foram anunciadas 37 pastas, das quais 26 são ministeriais e 11 secretarias de Estado. Entre os novos membros, há apenas sete novas caras nos ministérios e três nas secretarias de Estado.
As sete novas figuras nas pastas ministeriais são Fidélis Forbes, Alfredo Malo, Queiba Djaite, Abel da Silva, Augusto Gomes, Júlio Mamadu Baldé e Secuna Baldé. Nas secretarias de Estado, as novidades são Cipriano Mendes Pereira, Salomé Santos Allouche e Josefina Ricardo Gomes Soares da Gama.
Segundo Rui Jorge Semedo, este governo foi constituído para apoiar a recandidatura do Presidente Embaló, que anunciou recentemente a sua intenção de disputar um segundo mandato de forma independente, nas eleições presidenciais previstas para novembro deste ano.
“Com a leitura do decreto, ficou confirmado o propósito deste governo, que tem como objetivo principal apoiar o segundo mandato do Presidente”, afirmou Semedo, observando ainda que a única figura politicamente sacrificada foi o ex-primeiro-ministro Rui Duarte Barros, pela sua “falta de peso político”.
O novo executivo inclui também figuras ligadas ao APU-PDGB (Assembleia do Povo Unido-Partido Democratico da Guiné-Bissau), liderado por Nuno Gomes Nabiam, e ao PRS (Partido da Renovação Social), de Fernando Dias – partidos que, até recentemente, se afastaram do governo. No entanto, a presença de dirigentes desses partidos no novo governo levanta questões sobre a coerência política dessas lideranças.
“A comunicação de Baciro Djá deu pistas sobre um acordo entre o Presidente, Fernando Dias e Nuno Gomes Nabiam. Se isso for verdade, estamos perante um cenário de incoerência política”, criticou o analista, pedindo um esclarecimento público das lideranças envolvidas.
A baixa representatividade feminina no novo governo também foi alvo de crítica. O coletivo governamental é composto, em sua maioria, por homens, com um número muito reduzido de mulheres em cargos de destaque.
“Não é novidade. O número de mulheres reflete a lógica do atual poder político, que historicamente reserva poucas pastas para elas”, declarou Semedo.
Rui Jorge Semedo conclui que o novo governo dificilmente trará valor acrescentado à governação do país, pois está, segundo ele, “dependente da vontade do Presidente”. Para o analista, os principais partidos representados no governo – Madem-G15, liderado por Braima Camará, PRS liderado por Fernando Dias e APU-PDGB do antigo chefe do governo, Nuno Gomes Nabiam – sofreram derrotas políticas, enquanto o Presidente Embaló sai reforçado na sua estratégia rumo a um segundo mandato.
O novo elenco deverá ser oficialmente empossado ainda hoje, no Palácio da República.
Por: Braima Sigá
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