MULHERES GUINEENSES CONTINUAM A SER NEGADAS OS SEUS DIREITOS

Guiné-Bissau celebra dia internacional para eliminação de todas violências contra mulher sob lema: “ Pinte o Mundo de Laranja: Lute Contra Violência Baseada no Género Durante Pandemia COVID-19”

A ministra da mulher, família e solidariedade social, Maria da Conceição Évora, lamenta esta quarta-feira, o fato dos direitos das mulheres continuarem a ser violados, apesar de o país aprovar e ratificar várias convenções, protocolos de acordos e tratados internacionais.

A lamentação da Maria da Conceição Évora surge, hoje, (25 de Novembro), no ato da abertura da jornada dos 16 dias de activismo que se comemora sob o lema: “ Pinte o Mundo de Laranja: Lute Contra a Violência Baseada no Género Durante a Pandemia do COVID-19”.

A governante alerta ainda que as mulheres e as crianças são membros passivos na esfera da tomada de decisões a nível familiar e comunitária, desprovido de oportunidades de gozar dos seus direitos básicos e desenvolver os seus plenos potências.

“Segundo o último MICS de 2014, entre mulheres de 15 a 49 anos de idade-7% casaram antes de completar 15 anos, 44,9% foram excisadas, entre mulheres de 20 a 49 anos de idade-37% casaram antes de completarem 18 anos e entre crianças de 0 à 14 anos-29,6% foram excisadas”, aponta a Ministra, acrescentando que basta saber que cerca de 52% da população guineense é feminina, para afirmar que é imperativo a promoção do abandono destas práticas.

Eunice Mafalda Queita, em representação do coordenador residente de sistemas das NU na Guiné-Bissau afirma que falar da violência doméstica é “falar de um tema sensível que é transversal a toda as áreas e a todas as instituições”.

Como o mundo se isolou em casas devido às medidas de bloqueio postas em prática para conter a pandemia COVID-19, os relatórios mostraram um aumento alarmante na pandemia de violência contra as mulheres já existente.

Entretanto a presidente da RENLUV-CG/GB, Aissatu Camara Injai, conta que a instituição que dirige registou durante a pandemia do COVID-19, 325 casos de denúncia de diferentes tipos de violência contra mulheres.

“O estudo sobre situação e tipologia de violência contra mulheres levada a cabo pela RENLOV e os seus parceiros deu conta que 24.385 casos de violências cometidas contra mulheres são denunciados e registados do ano 2010 à 2018”, explica a activista.

Os 16 dias de activismo contra a violência de género é uma campanha internacional anual que começa em 25 de Novembro, dia internacional para a eliminação da violência contra as mulheres, e vai até 10 de Dezembro, dia dos direitos humanos, uma estratégia implementada por indivíduos e organizações em todo o mundo, a fim de exigir a prevenção e eliminação da violência contra mulheres e meninas.

E as actividades deste ano serão realizadas sob o lema global: Pinte o mundo de Laranja: Financie, responda, previne, recolha.

Por: Anézia Tavares Gomes

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