Mais de 160 mil crianças fora da escola na Guiné-Bissau: ESPECIALISTA EXIGE INVESTIMENTO URGENTE NA EDUCAÇÃO

O especialista em Ciências da Educação, Lamine Sonco, alertou esta quarta-feira (20 de agosto), para a grave crise educacional na Guiné-Bissau, com mais de 160 mil crianças fora da escola.

Em entrevista à Rádio Sol Mansi, Lamine Sonco, que citou os dados da UNICEF, defendeu um investimento sério e urgente no setor da educação como única via para reverter o cenário de exclusão e atraso escolar.

“Sem um investimento sério, vamos continuar com uma educação banalizada e com crianças fora das salas de aula”, advertiu.

Na segunda-feira (18 de agosto), um relatório divulgado pela agência das Nações Unidas para Infância (UNICEF) destaca que apenas 27% das crianças guineenses conseguem concluir o ensino primário. Um número considerado altamente preocupante pela organização internacional e que reflete falhas estruturais graves no sistema educativo do país.

Para o especialista em educação Lamine Sonco, a educação é “o motor essencial do desenvolvimento nacional” e que a falta de acesso à escola compromete o futuro de toda uma geração.

Entre os principais obstáculos apontados, Lamine Sonco destaca as sucessivas greves de professores, que reduzem drasticamente os dias letivos, extrema pobreza, que obriga muitas famílias a retirar os filhos da escola, falta de apoio governamental às famílias vulneráveis, ausência de políticas inclusivas para crianças com deficiência, práticas culturais nocivas, como o casamento precoce e o fanado (circuncisão tradicional), que ocorrem durante o período escolar.

“As greves constantes e a falta de apoio social agravam o abandono escolar. Precisamos de políticas concretas para apoiar as famílias e manter as crianças na escola”, defendeu Sonco.

O não cumprimento das promessas sobre a educação inclusiva não escaparam dos olhares do especialista que criticou a exclusão de crianças com deficiência, alegando que continuam a ser deixadas à margem por falta de políticas específicas e de uma implementação efetiva da educação inclusiva.

“As crianças com deficiência enfrentam discriminação diária. É preciso integrá-las nas salas de aula, com condições adequadas”, exigiu.

Lamine Sonco apelou ao Governo da Guiné-Bissau para que coloque a educação no centro das prioridades nacionais, lembrando que sem uma juventude formada, o país não conseguirá sair do ciclo de pobreza e instabilidade.

“Um verdadeiro processo de desenvolvimento começa na família, passa pela comunidade e é sustentado por uma escola forte e acessível a todos.” Concluiu.

 

Por: Turé da Silva

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