Independência nacional: GUINEENSES COM SENTIMENTO DE RETROCESSO DEMOCRÁTICO

A Guiné-Bissau comemorou, ontem, os 50 anos da sua Independência. Passados 5 décadas livres do colonialismo, os guineenses continuam a viver com o sentimento de tristeza e do retrocesso democrático.

A Guiné-Bissau proclamou unilateralmente a sua independência a 24 de setembro de 1973. Hoje, 50 Anos depois, a Rádio Sol Mansi saiu às ruas e auscultou as opiniões de algumas pessoas.

Entre as pessoas ouvidas pela RSM, alguns opinaram de que o país ainda não conseguiu cumprir com os propósitos da independência que ceifou a vida e caucionou a juventude de outros através de mutilações de alguns dos membros, num país em que ainda continua a faltar quase tudo, e existe ainda muita coisa ainda por fazer.

Foi há precisamente 50 anos que a Guiné-Bissau, através de um dos seus filhos, o lendário combatente João Bernardo Vieira, leu o texto da Proclamação unilateral da Independência, e o país declarou-se livre das atrocidades do colonialismo, depois de 11 anos de luta com arma na mão.

Naquele dia, 24 de setembro de 1973, em Boé, foi constituída a primeira Assembleia Nacional Popular e igualmente foi aprovada a primeira Constituição da República da Guiné-Bissau.

Á frente da luta armada estava o pai das nacionalidades guineense e cabo-verdiana, Amílcar Cabral não viveu para ver o seu sonho realizado, e foi assassinado 8 meses deste histórico acontecimento das matas de Lugadjol-Boé.

Na sua última comunicação à nação, Cabral lembra que a Constituição da primeira Assembleia Nacional Popular da Guiné representa uma vitória do povo guineense.

O sonho de Cabral e dos Antigos Combatentes era ver o país livre do colonialismo. Assim, o legado de Cabral foi efetivamente valorizado.

Para os Antigos Combatentes da Liberdade da Pátria, este sonho parece que ainda não está constituir cabalmente realizado, e, atualmente os Antigos Combatentes queixam-se quase de tudo, desde o baixo pensão até ao que tem a ver com a melhoria das condições de vida.

Em entrevista ao semanário “O Democrata”, o comandante Pedro Pires, antigo Presidente da República de Cabo -Verde e uma das figuras da luta anticolonial, disse que a luta foi um conjunto de decisões pensadas.

OLHAR ECONÓMICO

Com a criação do Estado da Guiné-Bissau, o sonho era ver a Guiné-Bissau como está atualmente?

A História da Guiné-Bissau foi escrita pelos colonialistas portugueses, por isso, os valores estão a ser relegados ao segundo plano, pelo menos é o que defende o historiador guineense.

Tedse Silva Soares de Gama sustenta, em entrevista à RSM, que existe uma necessidade da própria história nacional, ser escrita pelos próprios guineenses, inclusive das lições difundidas nas escolas.

Como forma de evitar os erros do passado, o historiador disse que é preciso pensar nos valores da independência e os legados dos que deram as suas vidas para que o país seja livre e assuma os seus próprios destinos.

Durante a luta armada, Amílcar Cabral teve sempre em atenção às questões do género e focou-se na criação em 1964, em Conacri, da “Escola-piloto” a frente do qual colocou pessoas consciente e dotado de cultura e identidade da Guiné-Bissau e Cabo Verde.

Portanto, o historiador assegura que o Estado guineense está banalizado, e os sonhos de Cabral foram assumidos atualmente por iniciativas de particulares.

SOCIÓLOGO PEDE TOMADA DE DECISÕES PARA UM FUTURO MELHOR

Em relação a mesma situação, o sociólogo guineense, Tamilton Teixeira, alerta que o país deve ser capaz de perspetivar os próximos anos. Igualmente chama a atenção aos guineenses, que caso contrário, depois de 100 anos da independência, a sociedade guineense continuará a enfrentar os mesmos desafios.

POLITÓLOGO DIZ QUE O PAÍS AINDA NÃO É SOBERANO

Em relações á situação política do país, o politólogo Rui Jorge Semedo diz que passados 50 anos o país ainda não é soberano e está sem soberania.

Rui Jorge sustenta também que país ainda está aquém de corresponder aos ensejos de Amílcar Cabral.

O comentador da RSM defende ainda, que os percursos do país foram caraterizados de vários tipos de violações, inclusive dos golpes de estado e de assassinatos.

Para o politólogo o país está a perder os seus valores, e por isso chama atenção de todos para uma profunda reflexão.

ECONOMISTA SUSTENTA QUE O PAÍS ESTÁ ATRASADO

Para entender a situação económica do país durante os 50 anos, a RSM falou com o economista e analista económico, José Nico Djú.

Este afirma que o país está atrasado em todos os âmbitos e atualmente encontra-se em situação económica muito difícil.

Como solução, o economista aponta igualmente, que o país deve empenhar-se para que todos os titulares dos órgãos públicos finalizem os seus mandatos.

Esta medida segundo o entrevistado, só vai impulsionar uma prestação das contas e consequente controlo financeiros.

LGDH DÁ CARTÃO VERMELHO

O que aconteceu com o sonho de Cabral que é de ver o país desenvolvido e prospero?

Enquanto isso, e na opinião do presidente em exercício da LGDH, Bubacar Turé, o balanço dos 50 anos da independência do país, é negativo.

PR DIZ QUE É HORA DE PENSAR O FUTURO DO PAÍS

Na sua mensagem à nação sobre esta data, o Presidente da República disse que o ponto alto das celebrações do Dia da Independência do país, será no próximo mês de Novembro, mas sustenta que é chegado o momento das pessoas pensarem no futuro do desenvolvimento do país.

Umaro Sissoco Embaló reconhece ainda os esforços daqueles que estiveram na frente da luta para libertar o país do jugo do colonialismo.

O PR em sua mensagem à nação no dia da Independência Nacional, sustenta que as comemorações terão o ponto alto no mês de novembro.

A Guiné Bissau foi a primeira colónia sob a bandeira do colonialismo português a ver a sua independência reconhecida pelo país colonizador Portugal, em Setembro de 1974. Um ano antes do partido libertador já tinha declarado, unilateralmente, a sua independência. A revolução da Guiné-Bissau abriu portas a libertação os restantes países colonizados por Portugal.

Apesar de todos os ganhos preconizados pelas pessoas que estiveram á frente da luta, o país continua ainda enfrentar problemas sociais, económicos, políticos, e dos direitos humanos e de toda a dignidade aos direitos humanos.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos & Diana Vaz

 

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