HEPATITES É A QUARTA DOENÇA QUE MAIS MATA NA GUINÉ-BISSAU, MAS NÃO EXISTEM PROTOCOLOS NACIONAIS PARA TRATAMENTO

Na Guiné-Bissau, hepatites são a quarta doença que mais mata, apesar disso não existem materiais para o diagnóstico e nem uma política concreta para o tratamento desta doença.

Os dados foram revelados pelo diretor da Enda Santé Guiné-Bissau, Mamadu Aliu Djaló, durante uma entrevista à Rádio Sol Mansi que decidiu realizar uma reportagem para saber da real situação desta doença na Guiné-Bissau que segundo informações mata um número significativo de pessoas.

Na semana passada, de acordo com o Relatório Global sobre Hepatites de 2024 da Organização Mundial da Saúde, o número de mortes devido às hepatites virais está a aumentar e esta é a segunda principal causa infecciosa de morte a nível mundial, com 1,3 milhão de casos fatais por ano.

No entanto, o diretor da Endá Santé, que ecova os dados do anuário estatístico de saúde de 2018, esta doença é responsável pela morte de 14 por cento da população na Guiné-Bissau registada pelo Ministério da saúde.

“Em cada 100 pessoas mortas, 14 são por hepatites. Um outro aspetos importante para refletirmos ao nível das respostas nacionais tem a ver com a falta de orientações estratégicas ligadas à hepatites”, disse.

Ele disse que neste momento não existe um protocolo nacional para o tratamento das pessoas que padecem só de hepatites.

Um dos entraves é que o tratamento para a hepatites B é feito especificamente em apenas dois hospitais do país - Simão Mendes e Raoul Follereau – e não se pode ser feito noutros centros de saúde e “um outro aspecto é que não temos técnicos especialistas o suficiente no país”.

“Se a pessoa tiver o VIH-Sida e coinfecção, existem tratamento do VIH para o tratamento. Mas se tiver só hepatite, não existe algum protocolo da Guiné-Bissau que demonstre o que se deve fazer para o tratamento e se não haver uma visão clara não se pode dar uma resposta clinicamente”, sustenta.

Na Guiné-Bissau, segundo o diretor da Enda, as crianças recebem a vacina de hepatites só depois de 45 dias, mas o recomendável é que sejam vacinadas logo à nascença.

Mamadu Ali diz que, nos dados de banco de sangue da Guiné-Bissau em 2014 foram recolhidos cerca de 4 mil bolsas de sangue, examinados em Bissau (capital) e Bafatá (leste) a taxa de positividade dos dadores de sangue é de 8 por cento.

“Existe um forte risco dos doadores de sangue transmitirem a doença às outras pessoas”, alerta.

O diretor aconselha que as próprias autoridades guineenses encontrarem formas de aumentar o financiamento para hepatites, porque “praticamente” não existem financiamentos para esta doença.

“É importante que as próprias autoridades incentivem as organizações interessadas e disponíveis em trabalhar no domínio de prevenção de hepatites”, disse o diretor da Enda que igualmente informa que a sua organização, num futuro próximo, pretende apoiar na luta contra hepatites através de materiais de diagnósticos e de tratamento.

Sobre esta situação, a RSM tentou por várias vezes falar com os responsáveis do ministério da saúde mas não conseguimos, embora temos a informação que o ministério dispõe de dados e relatórios sobre esta doença, mas praticamente nada está a ser feito.

“ESTES SINTOMAS ÀS VEZES SÃO SILENCIOSOS”

Para entender melhor esta doença, a Rádio Sol Mansi falou com o médico, Francelino Hermano Batista, que informou que esta doença ataca principalmente o fígado e as causas são diversas, incluindo no consumo de bebidas alcoólicas e uso de medicamentos.

Os sintomas, segundo o doutor Francelino Hermano Batista, incluem pele e olhos amarelos, perda de peso e barriga inchada. Para ele, o ideal é as pessoas irem sempre ao médico.

“Estes sintomas às vezes são silenciosos e se apresentam de forma lenta”, avisa.

O médico diz ainda que existem vários mitos sobre esta doença e algumas pessoas confundem a hepatites com a febre amarela. Mas garante que não existe nada comprovado que confirme a existência da febre amarela no país.

“A priori as pessoas ao verem pessoas com olhos ou corpos amarelos dizem de imediato que é a febre amarela, mas hepatites faz a mesma coisa”, informa.

Francelino Hermano Batista diz que a hepatites mata porque afeta os nossos órgãos vitais.

“O ideal é que as pessoas recorram sempre ao hospital em caso de quaisquer sintomas”, aconselha.

Segundo informações, um exame de carga viral de hepatites custa quase 100 mil francos cfa. O financiamento para o setor é apenas de três por cento e está na lista de um conjunto de doenças infecciosas.

E, portanto, existe um plano estratégico nacional de luta contra hepatites na Guiné-Bissau que engloba de 2023 a 2027, segundo fontes oficiosas até este momento nenhum plano estratégico foi cumprido.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos Camará

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