COVID-19 E SEU IMPACTO NA PRODUÇÃO AGRÍCOLA

Produção agrícola ao contexto da pandemia COVID-19 na Guine Bissau e o seu impacto.

O Mestre em Protecção Integral das Plantas defendeu que ameaça da COVID-19 ainda pode ter sérias repercussões na subsistência de agricultores pobres que dependem principalmente da agricultura.

Delfim Domingos da Costa justificou ainda que para além das consequências a curto prazo para o abastecimento alimentar, a produção agrícola pode ser prejudicada se a situação continuar e as restrições à livre circulação continuarem, “o que pode ter um impacto negativo mais sério e duradouro na disponibilidade de preços dos alimentos e, em última análise, segurança alimentar”.

O especialista aponta que as soluções apropriadas para mitigar os efeitos da pandemia COVID-19 na produção devem ser identificadas e a ênfase deve estar na mini-mecanização adequada que permitirá aos agricultores compensar a falta de trabalho manual e cumprir efectivamente o distanciamento social.

O mestre em Mestre em Proteção Integral das Plantas, Delfim Domingos da Costa, quer com este artigo de opinião dar o seu contributo em como adaptar a produção agrícola ao contexto da pandemia COVID-19 na Guine Bissau e o seu impacto.

Confira na íntegra o artigo de opinião:

A pandemia global COVID-19 já tem impacto no setor agrícola. Além de seus efeitos potenciais para a saúde, a ameaça da COVID-19 ainda pode ter sérias repercussões na subsistência de agricultores pobres que dependem principalmente da agricultura.

Para além das consequências a curto prazo para o abastecimento alimentar, a produção agrícola pode ser prejudicada se a situação continuar e as restrições à livre circulação continuarem, o que pode ter um impacto negativo mais sério e duradouro na disponibilidade de preços dos alimentos e, em última análise, segurança alimentar.

A produção agrícola na Guiné-Bissau ainda não foi directamente afectada pela pandemia do COVID-19, pelo menos no prazo imediato. O sector agrícola certamente pagará um alto preço por esta crise da COVID-19. Isso poderia levar a uma mudança nas práticas de produção agrícola, conforme exigido pelo necessário distanciamento social. O mês de Junho marcou o início da época de plantio invariavelmente e com mão-de-obra intensiva na Guiné-Bissau. Os bloqueios contínuos e as restrições associadas ao movimento de pessoas e bens, especialmente a mão-de-obra agrícola migrante e insumos como sementes e fertilizantes, representam uma séria ameaça às áreas a serem plantadas. No momento certo, temos condição para um bom crescimento das plantas e boa produtividade da colheita. Portanto, o risco de baixa produção agrícola levará inevitavelmente ao aumento das importações e os preços dos alimentos podem ser muito mais elevados devido ao aumento da demanda global.

Quais são os impactos do COVID-19 na produção agrícola?

  • Interrupção nas cadeias de suprimentos alimentares

Os agricultores familiares precisam de sementes, fertilizantes e pesticidas de qualidade para a proteção da cultura contra doenças e pragas para atingir os níveis de produção desejados. Com a pandemia, as cadeias de abastecimento são interrompidas globalmente e até mesmo dentro dos países da sub-região, afetando a importação de insumos agrícolas da Ásia, Europa e África do Sul Norte e outras áreas. Se a situação persistir, pode ser desastroso porque, sem insumos de qualidade, a produtividade e a produção agrícolas podem-se diminuir.

  • Falta de mão-de-obra agrícola:

Existe o risco de redução da produção agrícola com as medidas de confinamento social que estão a ser implementadas. Com os agricultores da Guiné-Bissau sendo um grupo demográfico relativamente idoso, e as tendências mostram que o COVID-19 tem um grau de gravidade muito maior entre as faixas etárias mais velhas, por isso existe definitivamente o risco de que, se a pandemia atingir a zona rural do país, muitos dos agricultores estejam em alto risco. E isso afetaria a produção. Na Guiné-Bissau os produtores estão acostumados de serem ajudados pelo Governo, projetos nacionais, projetos financiados pela União Europeia, FIDA, FAO e entre outros para aumentar sua produção. Além disso, as fronteiras fechadas e o movimento restrito dentro do país impediram muitos jovens moradores das cidades de viajarem para o campo para apoiar a produção familiar. Durante este período crítico de necessidade de mão-de-obra., consequentemente, à diminuição da área produção, o que terá impacto na produção. A escassez de trabalhadores sazonais pode interromper a produção de alimentos, especialmente para culturas de mão-de-obra intensiva.

  • Controlo de pragas durante uma pandemia:

Antes da pandemia de COVID-19, alguns agricultores na Guiné-Bissau já estão sofrendo de uma grave invasão de pragas, como Lagarta Legionária de Outono (Spodoptera frugiperda) no milho, Moscas de Frutas (Bactroceras dorsalis, Ceratitis capitata e Ceratitis cosyra) nos citrinos e nas mangas e entre outras pragas, e atualmente a invasão de Gafanhoto fedorento – (Zonocerus variegatus) no arroz (principal cultura na Guiné- Bissau) e além disso, existe a ameaça de invasão de gafanhotos peregrinos que já assolam a África Oriental. A COVID-19 aumentou o nível de risco devido às restrições de acesso a produtos para o controlo de pragas e doenças de plantas. Como resultado, os agricultores enfrentam uma catástrofe dupla devido ao impacto simultâneo do COVID-19 e de pragas e doenças de plantas - uma combinação que pode ter um impacto negativo na produção ou perda total das suas produções.

  • Desperdício de Alimentos

Com as incertezas da pandemia do COVID-19, a correspondência entre a oferta e a procura está a tornar-se um grande problema, especialmente devido aos constrangimentos logísticos decorrentes de bloqueios e movimentos restritos. É provável que isso agrave o problema de perda de alimentos que foi um grande problema nas cadeias de valor de alimentos da Guiné-Bissau antes da pandemia. Para produtos perecíveis como frutas (caju e manga) e legumes, isso levará a desperdícios e perdas que os agricultores já vulneráveis simplesmente não podem se dar ao luxo de absorver.

Durante este período de confinamento social, vai ser um ano difícil para presente comercialização do caju e para campanha agrícola na Guiné - Bissau, devido problemas criado pela pandemia. A campanha de apanha, compra e venda no produtor, escoamento e exportação do produto para o exterior, começou tardiamente e isso até agora está a refletir no resultado final da safra? colheita.

  • Efeitos do alto índice de chuvas sobre produção agrícola

Presente ano, verifica-se um alto índice de chuva na Guiné-Bissau e isso tem os efeitos negativos imediatos e que pode causar dificuldades, devido aos problemas de conservação do solo e alagamentos. A dificuldade não está somente na qualidade, no desenvolvimento da cultura, perdas por doença ou podridão. A colheita também pode ficar prejudicada, assim como o trânsito de máquinas agrícolas. Os solos ficam encharcados, o que pode provocar erosões.

Agricultores familiares da Região de Quinara, Sul da Guiné-Bissau, com grandes dificuldades de escoamento dos produtos. Na zona entre Setores de Fulacunda, São João, Bolama e Tite, um dos mais importantes corredores econômicos, há trajetos completamente isolados. O fraco investimento nas pistas rurais e ausência de políticas efetivas de desencravamento das zonas produtivas desprovidas de meios de transporte (terrestre e marítimo) de qualidade constituem maior obstáculo ao desenvolvimento económico e produtivo do país.

  • Perdas de alimentos pós-colheita:

No contexto incerto da pandemia COVID-19, a correspondência entre oferta e demanda está se tornando um grande problema, principalmente devido a gargalos logísticos resultantes de bloqueios e restrições de movimento. Isso pode exacerbar o problema da perda de alimentos, que era um grande problema nas cadeias de valor de alimentos antes da pandemia. Para bens perecíveis como frutas e vegetais, isso levará a perdas e desperdícios que os agricultores vulneráveis simplesmente não podem suportar.

Medidas propostas aos agricultores para se adaptarem à situação da COVID-19

  • Mecanização apropriada

Soluções apropriadas para mitigar os efeitos da pandemia COVID-19 na produção devem ser identificadas. A ênfase deve estar na mini-mecanização adequada que permitirá aos agricultores compensar a falta de trabalho manual e cumprir efetivamente o distanciamento social. Na Guiné-Bissau, o nível de mecanização da agricultura é muito baixo. No entanto, a minimecanização, onde o indivíduo pode ser o único a manusear o equipamento evitando o contato e respeitando o distanciamento social, pode ajudar a prevenir a contaminação com COVID-19 durante as operações de produção. Além disso, o mecanismo de operação conjunta de equipamentos agrícolas pesados (trator etc.) por meio de entrega de serviço pago, aluguel e outras abordagens de serviços de rotação, pode muito ajudar a aliviar os problemas de trabalho. Redes de brigadas fitossanitárias equipadas para tratar campos com base em pagamento por serviço podem ser benéficas ao fornecer serviços aos produtores que não possuem o equipamento necessário ou mão-de-obra adequada.

  • Acesso a insumos agrícolas

Formação e capacitação técnica, facilitação e supervisão de organizações de produtores de base, como grupos e cooperativas, devem ser incentivados e apoiados. Além disso, governos e parceiros de desenvolvimento devem apoiar a distribuição de insumos para agricultores vulneráveis. Além disso, os revendedores de insumos, assim como as agentes da vulgarização, devem receber formação básica em saúde sobre o COVID-19 e, ao mesmo tempo, facilitar sua movimentação nas áreas rurais. Esses agentes também podem estar envolvidos na sensibilização de produtores sobre higiene básica relacionada ao COVID-19 em áreas rurais.

  • Gestão pós-colheita

Para mitigar as perdas pós-colheita, os agricultores precisam melhorar sua capacidade de armazenamento no nível da tabanca com celeiros aprimorados e outros meios de armazenamento hermético, principalmente o saco de fundo triplo recomendado ou tecnologia de saco triplo para a proteção de grãos e sementes de cereais e outras sementes contra perdas pós-colheita devido ao ataque de insetos.

Eng° Delfim Domingos Da Costa

Mestre em Proteção Integral das Plantas

  • Created on .

Escreva à RSM

email

Entre em contato com a Rádio Sol Mansi.

Continuar

Ajuda RSM

helpContribua para a manutenção dos nossos equipamentos e a formação da nossa equipa.

Ajuda

Subscreva notícias

© Radio Sol Mansi
Cookie Policy | Privacy Policy

Web engineering and design by Sernicola Labs

Questo sito fa uso di cookie per migliorare l’esperienza di navigazione degli utenti e per raccogliere informazioni sull’utilizzo del sito stesso. Leggi di più