CONGRESSO DO PAIGC ARRANCA COM DESISTÊNCIA DAS CANDIDATURAS DE RAIMUNDO PEREIRA E MARTILENE DOS SANTOS
O Xº Congresso do Partido Africano para Independência da Guiné e Cabo-Verde (PAIGC), finalmente vai ter o seu pontapé de saída na tarde desta sexta-feira no “Ilhéu de Gardete” arredores de Bissau.
Horas antes do início do Congresso, os candidatos à liderança do PAIGC, Martilene dos Santos e Raimundo Pereira decidiram retirar as suas candidaturas sustentando ainda uma persistente crise que se pretende camuflar e que está a acentuar-se cada vez mais no seio do partido libertador.
Estas informações constam numa carta conjunta redigida pelos dois candidatos e enviada à Comissão Nacional Preparatória do décimo Congresso e confirmadas por um dos membros do PAIGC.
Martilene dos Santos e Raimundo Pereira disseram ainda que decidiram retirar as suas candidaturas por terem constatado que foram improdutivos todos os esforços e apelos feitos, para a promoção de um verdadeiro processo de diálogo no seio do PAIGC. Estes objetivos visam criar bases sólidas para a reconciliação que permita a realização do décimo congresso num clima de camaradagem e coesão.
Os dois candidatos, em carta, falam ainda de um “total desprezo” pelas contribuições deixadas pelos candidatos durante as audições e trabalhos realizados junto da comissão para o diálogo e reconciliação interna do partido e falam, no entanto, da falta de transparência na gestão do património do partido e a confirmação por parte do líder Domingos Simões Pereira, do envolvimento da sua própria família na alienação indevida do patrimônio do partido na última reunião do Comité Central que decorreu no dia 11 no mês corrente.
Um dos pontos justificados para a desistência da candidatura é a não apresentação e a aprovação do relatório de contas ao abrigo dos estatutos do partido; que o défice da democracia interna impede debates sérios dos verdadeiros problemas que coroem a coesão do partido.
Martilene dos Santos e Raimundo Pereira dizem ainda que reina um clima de intimidação agravada com insultos e calúnias, através das redes sociais, contra os membros do partido com ideias e opiniões diferentes da atual direção do partido.
No entanto, os desistentes da liderança do PAIGC consideram ser aconselhável a resolução de problemas políticos ainda pendentes da realização do encontro que se realiza hoje, para que partido saia mais reforçado e coeso da reunião magna, “independentemente de quem ganhe a direção”.
O congresso do PAIGC deveria se realizar há algum tempo mas, devido à uma decisão judicial este encontro magno não se concretizou e, hoje, dois dos seis candidatos à liderança do partido acabaram por desistir da corrida porque acham que ainda existem irregularidades.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos
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