Caso Bafatá: MINISTÉRIO DO INTERIOR EXPULSA POLÍCIAS ENVOLVIDOS NO ACTO
O Ministério do Interior manda expulsar “imediatamente” os elementos da Guarda Nacional, autores pelo espancamento e humilhação dos três jovens da cidade de Bafatá.
A decisão consta num despacho, com data de hoje, 06 de Julho de 2021, produzido pelo Ministério do interior e assinado pelo próprio ministro Botche Candé enviado ao Comandante Geral da Guarda Nacional, Brigadeiro General Sadjo Sissé.
A decisão foi tomada um dia depois de os polícias terem obrigado dois jovens a nadarem em água parada nas ruas de Bafatá em plena luz do dia sob pretexto de que estariam a incentivar pessoas a saírem às ruas para uma manifestação exigindo a luz eléctrica.
No despacho, o ministro do Interior considerou o acto de desumano e cruel.
Jovem desaparecido
No entanto, esta situação continua a ganhar contornos. Esta tarde, uma família denunciou que um dos seus elementos está desaparecido depois de receber várias ameaças por parte dos próprios elementos da Polícia da Ordem Pública de Bafatá. Os familiares dizem que o jovem está a ser acusado de incentivar a manifestação popular.
Entrevistado pela Rádio Sol Mansi (RSM), esta tarde, Adja Mariama Baldé, a mãe do jovem desaparecido, conta-nos que, ontem e hoje de manhã, uma viatura dupla cabine com polícias fardados e armados estiveram em sua casa com a intenção de deter o seu filho.
Adja Mariama pede ainda o fim desta situação, porque a vida das pessoas está em causa. Esta idosa diz estar aflita porque desconhece o paradeiro do seu filho.
O desaparecimento deste jovem na cidade de Bafatá já tem a reacção da Liga Guineense dos Direitos Humanos de Bafatá. Demba Baldé, presidente da organização na zona leste, responsabiliza o comissário da Polícia da Ordem Pública pela segurança deste cidadão nacional.
CNJ promete marchar para exigir liberdade de manifestação
Também Instado, hoje, a falar sobre o espancamento e a humilhação dos jovens de Bafatá, o Conselho Nacional da Juventude (CNJ) exige a instauração de um processo disciplinar.
Aissato Forbs Djaló, presidente do CNJ, responsabiliza o ministério do interior pela proibição das manifestações e pela tortura e detenção dos manifestantes como tem ocorrido nos últimos tempos no país.
Forbs assegurou ainda que caso as medidas adequadas e urgentes não forem tomadas, para por cobro a essas práticas, existem uma possibilidade de realizar uma manifestação que terá diferentes quadrantes do país.
Liga dos Direitos Humanos e Sociedade Civil querem justiça
Entretanto, ontem, a Liga Guineense dos Direitos Humanos já tinha condenado o acto que considera de vergonhoso.
Já, hoje, em comunicado, o Movimento Nacional da Sociedade Civil para a Paz, Democracia e Desenvolvimento foi mais longe e exigiu a demissão da corporação das chefias regionais e provinciais das forças de segurança de Bafatá e Gabú. O moimento quer que estes elementos sejam julgados.
Igualmente, o Partido da Unidade Nacional (PUN), numa nota publicada na sua página de Facebook, hoje, exige ao primeiro-ministro e ao presidente da República a demissão do ministro de Estado do Interior e da Ordem Pública, Botche Candé, sob pena de serem coniventes com os crimes cometidos por agentes das forças de ordem.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Iaia Quadé
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