Carta aberta: SOCIEDADE CIVIL ALERTA PRESIDENTE DE FRANÇA QUE A PERSISTÊNCIA EM APOIAR SISSOCO EMBALÓ SERIA MAIS UMA AFRONTA À GUINÉ-BISSAU

A Frente Popular e o Espaço de Concertação das Organizações da Sociedade Civil denunciam a persistente cumplicidade do Presidente da França, Emmanuel Macron, com o Presidente Umaro Sissoco Embaló, que tem contribuído para a consolidação de um regime autocrático e ditatorial na Guiné-Bissau.

A denúncia consta numa carta aberta dirigida ao presidente da França, Emmanuel Macron, datada de 14 de março na sequência da recente visita que o presidente Umaro Sissoco Embaló efetuou a França, e onde ele foi acusado de estar a prestar um péssimos serviço ao povo francês, e está a contribuir para alimentar ressentimentos legítimos ao povo em relação ao papel de França, na instabilidade que assola a África Ocidental, a Guiné-Bissau em particular.

Na carta, as duas organizações da sociedade civil alertam o presidente Marcron e a opinião pública internacional francesa em particular, sobre os perigos que aquilo que considera de ditadura de Sissoco representa para a Guiné-Bissau e para toda a África Ocidental, a qual mina todos os esforços coletivos em curso com vista à consolidação da paz e estabilidade governativa na sub-região.

A Frente Popular e o Espaço de Concertação das organizações da Sociedade Civil alertam ao presidente da França que a persistência em apoiar Umaro Sissoco Embaló, no poder sem legitimidade popular e contra a Constituição do país, seria mais uma afronta à Guiné-Bissau que o seu povo está determinado a combater sem reserva e sem tréguas.

Na carta pode-se ler que, o presidente Francês foi alertado que a mesma chama que ontem levou o heróico povo deste território sob liderança corajosa e visionária de Amílcar Cabral a consentir sacrifícios, sangue e suor, pela afirmação da sua autodeterminação, continua a ser a mesma que hoje anima as aspirações da juventude guineense em prol de liberdade, soberania e prosperidade.

Para as duas organizações, um país como a França conhecido pela trajetória de luta do seu povo em prol da liberdade e da dignidade da pessoa humana, não pode ser cúmplice de regimes ditatoriais como é o caso atualmente na Guiné-Bissau.

Pois, sustentam, a liberdade, a igualdade e a fraternidade são valores universais que sempre inspiraram resistências dos povos, incluindo a do povo francês e são esses valores que devem permanecer e sustentar os pilares axiológicos das relações de amizade entre as nações democráticas, na medida em que só uma democracia existe.

"Exigir de Sua Excelência o respeito pelas legítimas aspirações do povo guineense de viver em liberdade, dignidade, e convivência pacífica com outros povos irmãos, na observância dos mais sagrados valores da humanidade", são pontos que constam na carta aberta.

A Frente Popular e o Espaço de Concertação das organizações da Sociedade Civil reitera a firme determinação em convocar o povo guineense nos próximos dias para combater à ditadura e colocar o usurpador Umaro Sissoco Embaló fora do Palácio Presidencial, e por conseguinte, restabelecer a normalidade constitucional e criar condições para a realização do bem-estar para todo o povo africano da Guiné-Bissau.

"Reconhecer que o mundo enfrenta desafios múltiplos cada vez mais exigentes e complexos que só serão vencidos mediante uma sinergia de contribuições e sabedorias de nações verdadeiramente livres e democráticas. Contudo, os investimentos e patrocínios consentidos a favor de agendas ditatoriais em África e em qualquer parte do mundo provocaram inelutavelmente a ira dos povos", lê-se na mesma carta aberta.

As duas organizações reafirmam que o povo guineense  está a travar uma árdua luta contra um regime de cariz autocrático e ditatorial encabeçado por Umaro Sissoco Embaló cujo mandato terminou no dia 27 de fevereiro último e "que por teimosia, desprezo à Constituição da República e demais leis em vigor no país, continua ilegalmente a ocupar o Palácio Presidencial com uma clara cumplicidade das forças armadas, cuja missão é garantir o respeito pela Constituição da República e pela legalidade democrática".

Para a sociedade civil, "na sua saga de desmantelamento do edificio democrático no nosso pais, o ex-Presidente, Umaro Sissoco Embaló, tem igualmente beneficiado de estranha conivência e cumplicidade de lideranças no Ocidente, com especial destaque a República de França, liderada por Sua Excelência, que tem exercido influências diretas sobre alguns Chefes de Estado da CEDEAO, condicionando o seu posicionamento em relação à cruel ditadura vigente na Guiné-Bissau".

Acusam que "as aparentes relações diplomáticas" mantidas entre os dois presidentes, não só são absolutamente alheias aos interesses dos povos guineenses e franceses, mas também, colidem frontalmente com os valores e princípios fundadores da República de França, um país de democracia, de direitos e de liberdades.

Na carta, lembram que no ano passado, numa cerimônia improvisada em Paris, Umaro Sissoco Embaló recebeu das mãos do seu homólogo a mais alta distinção da França que deixou o povo guineense "estupefato" sobre os critérios dessa atribuição e "que, no nosso entender, não passou de uma operação que visa dois objectivos: branquear as nódoas da ditadura na Guiné-Bissau e oficializar o pacto selado com este novo aliado na África Ocidental, num contexto de incertezas marcadas pela retirada militar forjada da França em vários países da Africa Ocidental e do Sahel".

Curiosamente, após esta distinção em Paris, continuam, um grupo de cidadãos guineenses residentes em França foi brutalmente agredido por agentes de segurança de Sissoco em plena luz do dia e na presença deste, sem que as autoridades francesas se pronunciassem sobre o sucedido até à presente data.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos Camará / Belizário Cali

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