ANALISTA POLÍTICO ACUSA CEDEAO SE SER RESPONSÁVEL PELO GOLPE MILITAR EM CONACRI
O analista guineense e comentador dos assuntos políticos na Rádio Sol Mansi (RSM), Rui Jorge Semedo, responsabiliza a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) pelo golpe militar ocorrido, no passado domingo, em Guiné Conacri.
“O que ocorreu em Conacri é devido a falta da consistência e falta de responsabilidade da CEDEAO em adopção das regras democráticas, porque se eles assumirem por completo as suas responsabilidades, mas, sobretudo, as suas capacidades de influenciar o comprimento nos respectivos países das regras democrática não havia um terceiro mandato na Guiné Conacri” disse o comentador.
Rui Jorge Semedo falando à Rádio Sol Mansi dia depois do comunicado final da reunião extraordinária dos líderes da organização comunitária realizada por videoconferência, após o golpe militar que derrubou do poder, no domingo, Alpha Condé, reeleito, em Outubro do ano passado, para o terceiro mandato.
“Tudo o que está a ser vivido hoje é a culpa e a responsabilidade daquilo que foi o terceiro mandato o presidente deposto”, disse o analisa dos assuntos políticos.
Rui Jorge Semedo acusa ainda a CEDEAO de congratular-se com o desenho “não democrata” na reeleição do presidente Alpha Condé [Guiné Conacri] assim como do presidente Alassane Ouattara [Costa de Marfim]
“A história e a tentativa de alteração das leis para um terceiro mandato, a consequência é exactamente o que aconteceu em Conacri e quem sabe o que vai acontecer na Costa de Marfim. O golpe de Conacri é uma chamada de atenção aos outros países”, adverte.
Em agosto de 2020, durante a cimeira dos líderes da CEDEAO, sobre golpe no Mali, o presidente da República, Umaro Sissoco Embalo disse aos seus homólogos que “disputar o terceiro mandato também é um golpe”, a consideração beliscou a sua relação com o presidente marfinense e o guineense de Conacri.
No entanto, o também politólogo e comentador permanente da Rádio Sol Mansi alertou a CEDEAO que qualquer tentativa de imposição da força contra os golpistas poderá criar caos nos respectivos países.
“Qualquer tentativa de usar a força contra os golpistas de voltar para trás das suas posições poderá criar caos, portanto o que está a acontecer na Guiné Conacri é o mesmo que está a ser vivido em Mali, então todos esses comportamentos particularmente na Guiné Conacri é devido a falta da estratégia da CEDEAO que não tem facilitado e contribuído para consolidação da democracia nos países membros”, explica Rui Jorge Semedo.
Na quarta-feira, líderes dos Estados-membros da CEDEAO decidiram suspender a Guiné-Conacri de todos os seus órgãos de decisão e solicitam adopção da mesma medida pela União Africana e pelas Nações Unidas.
Para o politólogo a decisão não vai alterar algum ponto da posição dos militares que assumiram o poder no domingo por via de golpe.
“O que resta a CEDEAO agora é como o processo possa decorrer num clima de entendimento para que os militares possam fazer a transição do poder o mais rápido possível aos civis”, aconselha.
Alpha Condé, que governou a Guiné-Conacri desde 2010 até ao passado domingo, foi derrubado e preso por membros do Grupo das Forças Especiais do Exército do país criado por ele próprio.
Por: Braima Sigá
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