NOMEAÇÃO DE BRAIMA CAMARÁ REFORÇA ESTRATÉGIA POLÍTICA DA REELEIÇÃO DE UMARO SISSOCO EMBALÓ

O analista político guineense, Rui Jorge Semedo, alerta, hoje, que a nomeação de Braima Camará ao cargo do primeiro-ministro reforça a estratégia política do presidente Umaro Sissoco Embaló para sua reeleição.

“Com esta aparente aproximação ou entendimento entre Sissoco Embalo e Braima Camará, o Sissoco acaba teoricamente por sair reforçado na sua estratégia de agenda de segundo mandado”, diz, Rui Jorge Semedo, convidado a analisar a nomeação de Braima Camará, poucos minutos da leitura do Decreto Presidencial que exonera Rui Duarte Barros das funções do chefe do Governo, e nomeia Braima Camará para as mesmas funções.

Rui Jorge Semedo, diz que a nomeação pode ser vista como um aparente entendimento entre os dois líderes fundadores do Movimento para Alternância Democrática (Madem-G15).

“O que aconteceu pode ser visto como um sinal do entendimento entre o Braima Camará e o Umaro Sissoco Embaló, porque nos últimos tempos, Braima (Camará) tem estado numa situação de fragilidade política, que o terá levado as certas negociações para garantir a sua sobrevivência politica”, afirmou.  

O novo chefe do Governo, Braima Camará, afirmou publicamente em várias ocasiões que nunca vai assumir um governo que não resulte da vontade popular. Perante estas afirmações, o politólogo Rui Jorge Semedo, aponta a fragilidade política que Camará tem vivido nos últimos tempos, como um dos elementos para aceitar a nomeação.

“O Braima está numa fragilidade política, então decide fazer um jogo político de tudo ou nada. Ou continuar a assistir, de forma acelerada o seu suicídio político ou realmente entrar nas negociações que também continua a ser um risco, porque não vai evitar Camará de um desgaste político, não só à frente do Madem-G15”, disse o comentador.  

Rui Jorge Semedo entende que o importante neste momento, após a nomeação do Braima Camará ao cargo do novo primeiro-ministro, é acompanhar o desenrolar da situação nos próximos dias.

“O importante neste momento é continuar a acompanhar o desenrolar daquilo que também era alvo que o próprio Sissoco Embalo, ao qual tinha afirmado não se preocupar com o afastamento de Braima Camará, porque lhe conhece muito bem, e será muito fácil de chegar a um entendimento”, diz acrecentando que “ aquilo que foi a comunicação na altura de Sissoco Embaló, acaba por consumar, agora resta saber daqui há dois ou três dias, o que vai acontecer, se a estratégia de Sissoco Embaló de garantir o segundo mandato vai arrastando todas as outras formações políticas agrupado na Aliança Política Inclusiva (API Cabas-Garandi), ou conseguir apenas mobilizar uma parte para trabalhar nessa agenda de permanecer no poder”, apontou.      

Braima Camará assume as funções de chefe do Governo da iniciativa presidencial, a menos de três meses das eleições simultâneas, legislativas e presidenciais marcadas para novembro próximo, o politólogo acha que “a ambição de Braima Camará não vai ficar só neste facto de ser o Primeiro-Ministro num curto período do tempo, mas supostamente houve um acordo ao longo prazo que só com o tempo, podemos entender sobre o aparente entendimento entre Braima e Sissoco”.

Até há pouco tempo, Camará, líder de uma das alas do Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15), era conhecido pelas críticas que fazia a Sissoco Embaló.

Mas recentemente, enquanto líder de uma das alas do MADEM-G15, Braima Camará foi também uma das vozes mais contundentes em relação ao presidente Embaló, acusando-o de pretender instaurar um regime autoritário no país.

 

Por: Braima Sigá

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