FRENTE POPULAR ACUSA CEDEAO DE INCOERÊNCIA POR OMITIR DIVULGAÇÃO DOS RESULTADOS ELEITORAIS
O líder do movimento cívico Frente Popular, Armando Lona, afirmou esta terça-feira (16-12) que o comunicado final da última cimeira dos chefes de Estado e de Governo da CEDEAO está “repleto de incoerências”, por não mencionar, em nenhum momento, a divulgação dos resultados eleitorais, interrompida na véspera do seu anúncio, após a intervenção militar na sede da Comissão Nacional de Eleições (CNE).
Em reação ao comunicado do bloco regional, aprovado no domingo, em Abuja, capital da Nigéria, Armando Lona questionou o facto de a CEDEAO reconhecer que as eleições foram justas, transparentes e pacíficas, mas, ainda assim, omitir a questão da divulgação dos resultados eleitorais e da tomada de posse do vencedor.
Segundo o dirigente cívico, a Frente Popular reagiu “com muita indignação” ao que considera uma “incoerência gritante” da organização regional. Armando Lona sustenta que o comunicado está “amputado” por não abordar a divulgação dos resultados, sublinhando que estes são do conhecimento de todos, incluindo dos parceiros internacionais que acompanharam o processo eleitoral como observadores.
A Frente Popular exige a tomada de posse do novo Presidente da República e a libertação dos políticos detidos na sequência do alegado golpe de Estado que interrompeu o processo eleitoral na Guiné-Bissau. Para Armando Lona, “não há nenhuma engenharia capaz de confiscar a vontade popular expressa nas urnas”.
O líder do movimento cívico garantiu ainda que a Frente Popular está disponível para participar num diálogo construtivo que vise a estabilidade do país, mas rejeita qualquer solução que condicione a vontade popular. Defendeu, igualmente, a libertação imediata e incondicional das pessoas que, segundo afirma, continuam detidas pelas autoridades militares.
No comunicado final, a Conferência de Chefes de Estado e de Governo da CEDEAO defendeu a instauração de uma transição breve na Guiné-Bissau, liderada por um governo inclusivo que reflita o espectro político e a sociedade guineense. Para Armando Lona, esse consenso só será legítimo se refletir a vontade popular, expressa através dos resultados eleitorais.
O dirigente acrescentou que, se a CEDEAO pretende ajudar na construção de um consenso no país, deve reconhecer a existência de um vencedor das eleições, defendendo que as soluções políticas devem ser construídas com base nesse facto. “O povo não votou em militares para dirigir o país”, afirmou.
A CEDEAO rejeitou ainda, de forma categórica, o chamado “programa de transição” recentemente anunciado pelas autoridades da Guiné-Bissau, sublinhando que qualquer processo político deve respeitar a ordem constitucional e resultar de um diálogo inclusivo entre os principais atores nacionais. A Conferência advertiu que, caso a exigência de uma transição breve e inclusiva não seja cumprida, poderão ser impostas sanções específicas contra indivíduos ou grupos que obstruam o regresso à ordem constitucional.
Em reação, o chefe do Governo de transição, Ilidio Vieira Té, afirmou que nenhum membro do executivo teme sanções internacionais, salientando que a Guiné-Bissau é membro da CEDEAO e assegurando que o Governo está a trabalhar para o bem do país.
Por: Braima Sigá
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