Dia da Europa: SOCIEDADE CIVIL GUINEENSE DESTACA APOIO DA UNIÃO EUROPEIA AO DESENVOLVIMENTO E À DEMOCRACIA

O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Bubacar Turé, considerou o Dia da Europa, assinalado anualmente a 9 de maio, como um “dia de esperança” para o povo guineense, sublinhando que a União Europeia continua a ser o maior parceiro multilateral da Guiné-Bissau.

As declarações foram feitas no âmbito de uma reportagem da Rádio Sol Mansi dedicada às celebrações do Dia da Europa e aos 50 anos da parceria entre a União Europeia e a Guiné-Bissau, que recolheu testemunhos de organizações da sociedade civil beneficiárias do apoio europeu.

Segundo Bubacar Turé, a União Europeia tem desempenhado um papel importante em várias áreas do desenvolvimento nacional, destacando-se como um parceiro “vital e leal” da LGDH na promoção dos direitos humanos, da democracia e do Estado de direito.

“Este dia representa, na minha perspetiva, um dia de esperança para a Guiné-Bissau, porque a União Europeia é o maior parceiro multilateral do país. O bloco europeu tem apoiado a Guiné-Bissau em várias dimensões, desde o apoio orçamental até aos setores da saúde, educação, infraestruturas e desenvolvimento do capital humano. Para nós, da LGDH, enquanto organização da sociedade civil, a União Europeia tem sido um parceiro vital e leal na promoção dos direitos humanos, na consolidação da democracia e do Estado de Direito na Guiné-Bissau”, afirmou.

O responsável acrescentou que, apesar da atual conjuntura internacional, marcada por diversos desafios geopolíticos, o bloco europeu deve manter o apoio ao fortalecimento das instituições democráticas e à defesa dos direitos humanos na Guiné-Bissau.

“Estamos a viver um contexto internacional extremamente difícil, em que a disputa geopolítica acaba por condicionar várias iniciativas. No entanto, nós, enquanto sociedade civil, acreditamos que a União Europeia vai manter-se fiel aos seus valores fundadores, reforçando as capacidades das organizações da sociedade civil através de apoios financeiros e materiais. Num país fragilizado como a Guiné-Bissau, as organizações da sociedade civil acabam por desempenhar um papel incontornável na consolidação dos valores democráticos e no acesso dos cidadãos aos serviços básicos”, disse.

Também Ivone Gomes, líder da Cooperativa Bontche, elogiou o apoio concedido pela União Europeia às organizações da sociedade civil e às comunidades guineenses. A economista e empreendedora destacou os investimentos europeus no setor do empreendedorismo juvenil, afirmando que esses apoios têm permitido a continuidade de vários projetos e iniciativas lideradas por jovens.

“Indiretamente, temos o apoio da União Europeia, por nos ter ajudado a dar continuidade ao nosso projeto até hoje. Podemos agradecer à União Europeia pela ação que está a desenvolver na transformação da vida, sobretudo dos jovens e das mulheres, no que diz respeito ao empreendedorismo. Assim, podemos afirmar que, em termos formativos, apoiou-nos na inovação e na capacidade de empregar pessoas com iniciativa empreendedora”, destacou.

Por sua vez, o presidente da Rede Nacional das Associações Juvenis (RENAJ), Abulai Djaura, reconheceu a importância dos apoios europeus aos projetos sociais no país, mas defendeu um maior investimento nas organizações representativas da juventude, tendo em conta que os jovens constituem a maioria da população guineense.

“Parcialmente, sentimos o apoio da União Europeia, porque muitas vezes os projetos que ela apoia acabam por beneficiar os jovens de forma direta ou indireta. Mas, por outro lado, é preciso que abra mais o seu leque de apoio para trabalhar diretamente com as organizações juvenis, reforçando as suas ações, sobretudo num país como a Guiné-Bissau, onde os jovens são maioritários”, afirmou.

Djaura alertou ainda para a necessidade de o continente africano reduzir a dependência externa em matéria de financiamento ao desenvolvimento. Segundo o responsável, a União Africana deve assumir um papel mais ativo, repensando os seus mecanismos de apoio aos projetos de desenvolvimento em África.

“Nós, africanos, não podemos pensar que todos os projetos de desenvolvimento em África têm de ser subvencionados pela União Europeia. Existe a União Africana, e há vários projetos, inclusive da própria União Africana, que procuram financiamento junto da União Europeia. Por que é assim? Será por falta de matéria-prima ou de homens capazes de pensar? Penso que não. A União Africana precisa de repensar a sua estrutura, para que a sua atuação não conte apenas com a componente política, mas também com as dimensões económica e social. Caso contrário, continuaremos a depender do apoio externo, o que não seria necessário”, defendeu.

Entretanto, Bubacar Turé considera que a continuidade do apoio europeu aos países africanos continua a ser fundamental para promover a boa governação, o combate à corrupção e à impunidade, bem como uma distribuição mais justa e transparente das riquezas do continente, como forma de reduzir a migração irregular de africanos para a Europa.

“Para reduzir o fenómeno da emigração, a Europa precisa de apoiar os Estados africanos para que haja boa governação, para que a democracia funcione e o Estado de Direito seja respeitado, reduzindo drasticamente a impunidade e a corrupção. É igualmente necessário que a riqueza africana seja distribuída de forma equitativa e transparente entre todos os cidadãos. Só assim conseguiremos reduzir efetivamente o fenómeno da emigração”, concluiu.

O Dia da Europa é celebrado todos os anos a 9 de maio, em memória da Declaração Schuman, considerada o marco fundador da integração europeia.

 

Por: Braima Sigá

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