REDE DE DIREITOS HUMANOS ALERTA QUE PRISÃO ARBITRÁRIA DE OPOSITORES “MATA A DEMOCRACIA”

A Rede dos Defensores dos Direitos Humanos afirma que a perseguição e a prisão arbitrária de detidos políticos guineenses, desde a tentativa de golpe de Estado que hoje completa uma semana, representam uma ameaça grave à democracia.

Em entrevista à Rádio Sol Mansi, no dia em que se assinalam sete dias após o golpe de Estado e a detenção de vários políticos, entre eles Domingos Simões Pereira, líder do PAIGC, Otávio Lopes e Roberto Mbesba, a Rede dos Defensores dos Direitos Humanos manifestou preocupação com a situação.

Vitorino Indequi, coordenador da Rede, declarou que o ambiente político vem se deteriorando desde o golpe de 26 de novembro, com relatos de detenções realizadas sem mandado judicial e sem garantias processuais, mesmo após a chegada de uma missão conjunta da CEDEAO. Ele citou ainda a detenção do deputado da Nação, Marceano Indi.

“(…) A Guiné-Bissau está sob os olhos do mundo, e todos querem saber o que se passa aqui. Lamentamos a situação dos detidos políticos porque isso mata a democracia. A democracia se faz com políticos, e quando um político é perseguido e preso sem motivo, lamentamos e solidarizamo-nos com os familiares que sofrem neste momento”, afirmou Indequi, que condenou “a todos os níveis” estas práticas.

Segundo o coordenador, os guineenses vivem atualmente um clima de incerteza, e, caso a comunidade internacional não intervenha para apoiar o país, a Guiné-Bissau poderá enfrentar momentos de caos.

“Este é um momento de muita incerteza”, lamentou.

A Rede dos Defensores dos Direitos Humanos apelou às Forças Armadas para que priorizem os interesses do país e deixem de recorrer ao uso indiscriminado da força. Indequi destacou que o país precisa de paz e que as crianças guineenses não podem continuar a ver militares armados nas ruas.

“O mais importante é a paz. Os nossos filhos precisam de paz e de viver numa sociedade não militarizada”, afirmou.

Até ontem, os familiares dos detidos afirmavam não ter qualquer informação sobre o paradeiro ou o estado de saúde deles. Tanto os familiares quanto os defensores dos direitos humanos denunciam o aumento preocupante da perseguição e das prisões arbitrárias de políticos desde o golpe de Estado ocorrido há uma semana.

Organizações da sociedade civil defendem que os detidos tenham acesso a assistência jurídica e que as instituições do Estado garantam o respeito pelos direitos humanos durante todo o processo.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos Camará

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