PUN PROPÕE REFUNDAÇÃO PACÍFICA DO ESTADO BASEADA NO DIÁLOGO INCLUSIVO E REFORMAS INSTITUCIONAIS
O Partido da Unidade Nacional (PUN) considera que o golpe de Estado de 26 de novembro de 2025, ocorrido na véspera da divulgação dos resultados das eleições de 23 de novembro, reacendeu a instabilidade crónica que marca a história da Guiné-Bissau desde a independência proclamada em 1973.
A posição consta de uma carta intitulada “Proposta para Saída da Crise”, na posse da Rádio Sol Mansi, na qual o partido alerta que o país atravessa “uma das fases mais delicadas da sua história recente”, com riscos reais de fragmentação institucional, tensão interétnica e colapso da autoridade do Estado.
Segundo o documento, desde a independência liderada pelo PAIGC, o país nunca conseguiu consolidar instituições estáveis nem no período de partido único (1974-1992), nem na era multipartidária iniciada em 1994.
O PUN recorda que o conflito armado iniciado a 7 de junho de 1998 permanece como um dos episódios mais traumáticos da história nacional marcados por centenas de mortos e a destruição do já frágil tecido económico nacional, sublinhando que a economia do país continua excessivamente dependente da exportação de castanha de caju em bruto para mercados asiáticos, enquanto o desemprego e a emigração juvenil registam níveis preocupantes.
O partido liderado por Idriça Djaló, manifesta preocupação com mensagens difundidas nas redes sociais que apelam à desobediência militar e à rutura entre soldados e a hierarquia.
Segundo o PUN, essas iniciativas agravam o risco de divisão interna nas Forças Armadas, historicamente um dos principais fatores de instabilidade política no país.
Perante o agravamento da situação, o partido propõe uma Consulta Nacional Inclusiva, envolvendo partidos políticos, sociedade civil, líderes tradicionais e religiosos, forças de defesa e segurança com o objetivo de atacar as causas profundas da instabilidade estrutural e lançar bases para uma reforma duradoura do Estado.
Entre as principais recomendações destacam-se a reforma Constitucional, com escolha clara entre sistema presidencial, parlamentar ou semipresidencial, reforma do sistema judicial, garantindo independência efetiva, redefinição do papel das Forças Armadas na ordem republicana, estratégia nacional de gestão da diversidade étnica e combate ao discurso de ódio, plano económico de 25 anos, focado em agricultura, pescas, turismo e setor privado, investimentos estruturais em educação e saúde
Sem reformas profundas, o PUN adverte para violência interétnica descontrolada, divisão e implosão das Forças Armadas, perda definitiva de legitimidade institucional, desestabilização da África Ocidental, crescimento do tráfico e do crime transnacional.
O partido defende que apenas uma Refundação Pacífica do Estado, baseada no diálogo inclusivo, reformas institucionais profundas e desenvolvimento humano sustentável, poderá evitar o colapso.
Para o PUN, o país encontra-se diante de uma escolha histórica, transformando a crise numa oportunidade de reorganização nacional, ou arrisca mergulhar num novo ciclo prolongado de instabilidade.
Por: Ussumane Mané

