RETIRADA DO BURKINA FASO, MALI E O NÍGER NA CEDEAO PODE SER PRECEDENTE QUE OUTROS ESTADOS MEMBROS VÃO SEGUIR
O especialista nos assuntos africanos, Edson Incopté, alertou, hoje, que a retirada dos três países do Sahel (Burkina Faso, Mali e o Níger) no bloco regional Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) pode ser uma abertura que outros países membros vão acompanhar dada a evolução política na sub-região.
“A retirada destes três países vai abalar naturalmente a CEDEAO, porque pode ser um precedente que está a ser aberta em que outros Estados membros podem acompanhar tendo em consideração como a situação tem evoluído em vários países da sub-região ultimamente”, disse o especialista, esta segunda-feira, um dia depois dos três países, o Burkina Faso, Mali e o Níger anunciaram a saída da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO). Os três acusam a organização de ter traído os seus "princípios fundadores" e de estar "sob influência estrangeira”.
Entretanto, reagindo em comunicado ao anúncio deste domingo, a CEDEAO fez saber estar aberta para "negociar uma solução”, uma vez que, os três países são "membros importantes para a Comunidade”.
Na mesma entrevista à Rádio Sol Mansi, Edson Incopté diz não acreditar que os três países renunciantes vão reconsiderar as suas posições mas, diz que a CEDEAO tem que continuar a dialogar com eles.
“Tem que dialogar com estes Estados para em conjunto encontrar o mecanismo de ultrapassar esta situação, só que eu, tenho sérias dúvidas de que do imediato estes três Estados vão realmente reconsiderar as suas posições de renunciar às suas decisões mas, lá está mais uma vez estamos a falar da intervenção da CEDEAO numa postura reativa não preventiva, porque esta é a situação que deve ser acautelada perante aquilo que tem sido o percurso destes Estados e a postura da própria CEDEAO em atribuir as sanções que naturalmente acaba de afectar as populações mais desfavorecidas e de proteger os líderes dos países membros mesmo a desrespeitar as leis do país e uma das consequência é esta que estamos a verificar neste momento que naturalmente vai ter impacto na CEDEAO”.
Economista alerta que a saída dos três países terá “grande” impacto
Por enquanto, não está claro qual será o impacto da decisão das juntas do Níger, Burkina Faso e Mali no bloco regional, onde bens e cidadãos circulam livremente.
Para o economista guineense, José Nico Djú, as suas retiradas podem não ter grande relevância a nível geopolítico mas a nível económico tem grande impacto porque vai dificultar a partilha das oportunidades do âmbito económico e geoestratégico.
“A nível geopolítico pode não ter grande relevância, mas só que a nível da economia tem grande impacto porque estamos a falar dos países membros da UEMOA, sendo membro da UEMOA tinha a facilidade em termo de partilha do mercado, moeda comunitária e assim como a oportunidade económico e geoestratégico”, diz o economista.
Nico Djú afirmar que “a saída destes três países vai dificultar e fragilizar a moeda franca CFA, porque qualquer moeda para ganhar para ganhar a apreciação no mercado cambial e assim com a sua valorização no seu país ou na comunidade depende do nível das práticas económicas que está a ser exercida naqueles países”.
“Portanto o Níger, Mali e Burkina Faso tinham uma cobertura sub-regional em termos de extracção mineral e sendo país membros com os recursos naturais consideráveis a nível da exploração mineral dá o equilíbrio em termo de valorização e permite também que a nossa moeda ganhe a precisão no mercado cambial”, explica o economista afirmando que “é preciso que países membros da UEMOA utilizarem as novas estratégias em termos de poder usar mecanismo que facilita a manutenção da cotação da moeda ou ter maior valor no mercado cambial”.
De acordo com o tratado do bloco, os Estados membros que desejem retirar-se devem notificar por escrito com um ano de antecedência. Mas não está claro se os três países o fizeram. O tratado diz ainda que devem continuar a respeitar as suas disposições durante o período de um ano.
Por: Braima Sigá
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