Reportagem especial: SETOR DE BOÉ, BERÇO DA INDEPENDÊNCIA COMPLETAMENTE ESQUECIDA
No setor de Boé, leste do país, região de Gabú, o centro de saúde está há mais de dois anos sem ambulância. Há anos que o mesmo centro de saúde está sem materiais de trabalho e os doentes são evacuados em motorizadas deixadas à sua própria sorte.
Estes são os fatos confirmados pela Rádio Sol Mansi (RSM) que esteve no setor de Boé, o berço da independência que foi esquecido pelas autoridades do país. Boé é considerada uma das zonas mais pobres e esquecidas da Guiné-Bissau.
Durante nossa estadia em Boé, a RSM esteve no centro de saúde de Beli e viu que a situação é precária e os doentes, segundo os técnicos de saúde colocados neste centro, preferem recorrer a medicina natural.
Em entrevista à RSM, Olívio Pedro Mansal, enfermeiro responsável da área sanitária de Beli, contou-nos que para a evacuação dos doentes são obrigados a recorrer aos outros centros de saúde e a situação fica pior porque não têm rede móvel suficiente.
“O centro de saúde de Beli, há mais de dois anos, está sem ambulância e para a evacuação comunicamos a região de Gabú ou Dandum e como não temos rede móvel suficiente as vezes deslocamos alguém para ir avisar da nossa necessidade”, explica.
Olívio confirma ainda que os doentes, a maioria das vezes, são transportados em motorizadas e os custos são assumidos pelos próprios familiares. As vezes, os doentes morrem a caminho do hospital.
Em Beli, não existe água potável e nem poço com águas adequadas para o consumo humano. O enfermeiro chefe do centro de saúde disse que esta situação tem criado problemas sérios da vida da população.
“Atualmente, deparamos com casos graves de diarreia tendo em conta a má qualidade da água portável e que não é adequada para o consumo humano”, disse.
Boé é considerada o Berço da independência, agora é uma das zonas de mais difícil acesso. Durante os 3 dias da estadia da RSM era possível ver que a maioria das pessoas vive à sua própria sorte. Uma zona quase sem luz elétrica, sem escola de qualidade, sem água potável e o centro de saúde com escassez de material.
Para chegar a Boé apenas existe uma jangada que transporta tanto as pessoas assim como as viaturas e os amais. Em Boé, vivem pessoas humildes e amáveis, crianças apenas com a proteção dos seus próprios pais.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Iaia Quadé
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