Poema: SANGUISSUGA

Sanguessuga vai de vagar,

A sua bengala está torta.

Olha, a sua hora já chegou!

 

         Enxugas meu sangue e todos seus glóbulos, da minha carne banqueteaste e lambestes

         os meus olhos para não saber quem tu és. Seu bafo é familiar e insuportável, porque

                                                    lembra-nos do colono, de nascer do sol e de opor do mesmo.

 

Sanguessuga vai devagar.
A sua bengala está torta.
Olha, a sua hora já chegou!

 

Acomodas com talibês, dos gritos de socorro e ardor do estomago ácido destas flores

murchadas. Estrondoso é o seu coração que aguenta gemidos da miséria no quarto de

despejo, murmulhas de dores dos heróis chibatadas com casquete dos teus cachorros.

 

Sanguessuga vai devagar.
A sua bengala está torta.
Olha, a sua hora já chegou!

 

O vento que arrastou seus bafos para nossa aldeia é malicioso. O ar que fez chegar suas

palavras nos ouvidos de flores é muito malvado. Por que ouvir as suas palavras é igual

engolir pólvoras para suicídio? Porque a estrada do teu poder é a carne viva que se

turbina com sangue?

 

Sanguessuga vai devagar,
A sua bengala está torta.
Olha, a sua hora já chegou!

 

Sanguessuga, meu chefe, a sua ideia empoeirada de vento de Saara, a sua bengala

desgastada pelos gritos de dor de mulheres com crianças famintas nas costas. Seu

respiro seca as bolanhas e sacode bentadinhas para beiras dos seus tortos caminhos.

 

Sanguessuga vai devagar,
A sua bengala está torta.
Olha, a sua hora já chegou!

Cafacaiã Vaz;

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Louisville, junho de 2024

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