MOVIMENTO “MINDJER I KA TAMBUR” INSTA AUTORIDADES JUDICIAIS A TRAVAREM ONDAM DE VIOLAÇÕES DOS DIREITOS DAS GUINEENSES
O movimento guineense “mindjer i ka tambur” pede agilidade dos processos judiciais para travar o aumento de práticas de violações dos direitos das mulheres e crianças no país.
A organização que zela pelo respeito dos direitos da mulher reagia desta forma a denúncia feita por uma jovem de mais de 20 anos de idade que, na sexta-feira, teria sido acusada de feitiçaria, espancada na nuca e amarrada os pés e mãos contra uma arvore.
A porta-voz da organização “mindjer i ka tambur”, Iolanda Garrafão, diz que o atentado contra a jovem é uma violação flagrante dos direitos humanos das mulheres e está a constituir uma grande preocupação sendo que está a tornar-se num “surto”.
Ela lembra que a justiça é frágil nas comunidades e “e as próprias estruturas da justiça não são competentes e nem os decisores são dadas as condições adequadas para que façam os seus trabalhos de qualidade”.
“Ao nível macro não vemos uma preocupação visível por parte das nossas autoridades competentes. (...) Parece que estas situações são tomadas por ânimos leves”, lamenta.
A organização promete continuar a seguir o caso e pede que seja tomada uma medida para que a população não faça a justiça com as suas próprias mãos.
“Sempre confiamos e coadunamos com a justiça ainda que estamos numa sociedade onde as pessoas optam por outras vias que não são legais.
Esta mesma situação já teve a reação da Plataforma Nacional das Associações Académicas do Ensino Médio e Superior da Guiné-Bissau. Elisabete Mango, é a porta-voz, pede que a justiça seja feita para desencorajar o ato do gênero.
“Que as autoridades locais assumam as suas responsabilidades. Que punam os implicados neste ato lembrando que aquelas mulheres fazem parte da sociedade os e quem comete estes atos não devem ficar impunes”, sustenta.
Uma jovem de uma tabanca em Catió, sul do país, acusada de feitiçaria foi espancada e deixada à beira da morte. O caso já está sob a alçada das autoridades policias, que neste momento prendeu três jovens supostamente envolvidos no ato.
A vítima ouvida pela RSM explica que foi espancada, e inclusive com pau na nuca, depois de desmaiar ela terá sido amarada com cordas nas mãos e nos pés contra uma árvore.
O suposto cabecilha do grupo, neste momento nas celas da polícia, confessou o crime e diz estar arrependido do ato.
O pai da vítima exige a justiça e que os implicados sejam castigados pela lei.
Este é mais um caso de violação dos direitos humanos, na zona sul do país. Há anos esta cena era mais frequente e houve até mortes decorrentes destes atos que acabam por ser impunes.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos
Imagem: Arquivo
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