Manifestação popular: ESTADO DE SAÚDE DE UM DOS DETIDOS AGRAVA-SE E ELE RECEBE OXIGÊNIO NO HOSPITAL

Um total de seis cidadãos guineenses presos, ontem (25 de maio), na tentativa de manifestação pública da Frente Popular e Pó de Terra, continuam presos nas celas de polícia, mas um corre o risco de vida e foi internado de emergência no Hospital Nacional Simão Mendes a receber oxigénio.

Como o cidadão tem a dupla nacionalidade, a embaixada, cujo advogado não quer referenciar, já foi informada da situação e que o cidadão em causa corre o risco de vida "porque efetivamente foi sequestrado por uma determinada entidade e que a sua situação clínica é delicada e se nada for feito pode morrer".

Segundo o advogado das duas organizações, Luís Vaz Martins, que falava em entrevista à Rádio Sol Mansi, o cidadão em causa padece de uma patologia que prefer não avançar nos órgãos da comunicação social que, com o efeito de violência, a sua situação clínica poderia agravar-se e em consequência tiveram que levá-lo ao hospital.

"Ainda ontem à noite, foram feitas diligências no sentido de chamar à razão dos seus captores porque a situação que enfrentam não consubstancia o conceito de detenção. Eles estavam a exercer um direito consagrado na Constituição da República que não pode ser afastado através de um despacho. A lei não pode ser afastada através de um espaço e muito menos os direitos consagrados na constituição podem ser afastados por um despacho", enfatiza o advogado.

na mesma entrevista à Rádio Sol Mansi, Luís Vaz Martins disse que o coletivo dos advogados da defesa não tem acesso ao cidadão preso e que recebe tratamento médico neste momento sustentando que "ultimamente quando simplesmente decidem sequestrar as pessoas, dizem que nenhum advogado pode ter acesso ao seu constituinte, quando a lei diz o contrário e mesmo matando alguém a pessoa tem acesso de comunicar em privado com os seus advogados e familiares".

"Estas pessoas decidiram que podem sequestrar todos os direitos dos cidadãos e efetivamente o país está à deriva. Ontem, eles estavam lá cheio de militares e dava para perceber que era um assassino de conjunto de pessoas. Infelizmente assim está este país", disse Vaz Martins.

O advogado denuncia que existe uma cultura de tortura nas instalações [do Ministério do Interior].

Luís Vaz Martins informou que diligências legais estão a ser feitas para a libertação destas pessoas que neste momento estão "capturadas" ilegalmente, porque são pessoas que saíram para manifestar um direito consagrado na constituição.

Entretanto, ontem (25), a Frente Popular e a Pó de Terra, organizações promotoras do evento, denunciaram que as forças de segurança têm desencadeado aquilo que apelidam de “caça ao Homem”, onde detiveram alguns dos seus membros nas suas próprias residências.

O Porta-voz, Nkanande Cá, em conferência de imprensa,  destacou que o país tem mergulhado numa situação de não Estado de direito democrático e, manifestou a determinação da sua organização na luta pacífica e ordeira para a reposição da democracia na Guiné-Bissau.

Nos últimos anos tem-se registado as restrições às liberdades fundamentais, como, as manifestações políticas e pacíficas tendo culminado em várias detenções e espancamentos contra manifestantes. Todos os atos são praticados pelas forças policiais afetos ao ministério do interior e da ordem pública, entidade responsável pela segurança interna.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos Camará

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