LIGA GUINEENSE DOS DIREITOS HUMANOS CELEBRA 34 ANOS SOB RETROCESSOS GRAVES DOS DIREITOS HUMANOS NA GUINÉ-BISSAU
A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) assinala hoje (12 de agosto) 34 anos da existência, reafirmando seu compromisso na defesa dos direitos humanos na Guiné-Bissau.
Ao longo da sua criação em 1991, a organização tem sido uma voz fundamental na luta por justiça, dignidade e liberdade no país, mesmo diante de um contexto marcado por graves desafios e violações.
Em sua mensagem comemorativa, a LGDH presta homenagem aos seus fundadores, que, em meio à fragilidade institucional da época, ousaram erguer uma voz coletiva em defesa dos direitos fundamentais de todos os cidadãos guineenses. O legado destes pioneiros disse a organização defensora dos direitos humanos, permanece como base para a luta contínua por um país democrático e justo.
De acordo com a nota divulgada esta terça-feira, a liga destaca que o seu aniversário ocorre num cenário preocupante, com um silêncio que cerca a alegada execução sumária de Mamadu Tano Bari, antigo comandante das Operações Especiais da Presidência da República e, denuncia a ausência de uma investigação judicial rigorosa com vista a identificação, julgamento e punição exemplar dos responsáveis morais e materiais.
O momento é descrito pela Liga como crítico para os direitos humanos na Guiné-Bissau, que enfrentam retrocessos alarmantes, incluindo detenções arbitrárias, torturas, e restrições ilegais às liberdades fundamentais como reunião, manifestação e imprensa.
Em nota, a organização liderada por Bubacar Turé, afirma que a degradação dos serviços sociais essenciais como a saúde, educação, acesso à água potável e energia elétrica, afeta principalmente as populações do interior do país.
Além disso, a escalada da corrupção, criminalidade organizada e impunidade mina as instituições e aprofunda o sofrimento do povo.
A LGDH denuncia a manipulação da justiça para fins políticos, que diz ter comprometido a independência judicial e viola o devido processo legal.
O caso do Almirante José Américo Bubo Natchuto, detido há 3 anos e 6 meses sem julgamento justo não escapou das observações da organização que menciona também o "caso Tcherninho", que envolve a detenção de mais de uma dezena de militares e civis, alguns há mais de três meses, sem acusação formal.
A Liga alerta que os direitos humanos no país estão agonizando sob o peso da repressão, impunidade, miséria e instabilidade política crônica, agravada por governos inconstitucionais que privilegiam interesses pessoais em detrimento do bem-estar da população.
Diante desse quadro sombrio, a organização conclama a sociedade civil, órgãos governamentais e comunidade internacional a unirem esforços para restaurar a democracia, fortalecer as liberdades e garantir um futuro de justiça, dignidade e progresso para todos os guineenses.
Por: Ussumane Mané
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