LIGA CONSIDERA TRÊS ÚLTIMOS ANOS DE TERRORISMO NA GUINÉ-BISSAU
A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) considera os anos 2020 á 2022 como anos de terrorismo de Estado, preenchidos com raptos e espancamentos na Guiné-Bissau.
A consideração é do presidente desta organização defensora dos Direitos Humanos feita esta quinta-feira (18) em Bissau, após a apresentação pública do seu Relatório de 175 páginas divididos em 7 capítulos, concernentes ao ano 2020-2022 e relativo a situação dos Direitos Humanos no país, nos seus diversos aspetos, nomeadamente os direitos civis, políticos, económico, sociais e ambientais sob o tema “ Resistir ao Autoritarismo, reviver Cabral”, o qual constitui igualmente uma homenagem ao Amílcar Lopes Cabral.
Bubacar Turé assegura que entre os anos 2020 a 2022, o país conheceu os fenómenos nunca antes vistos.
“O período a que reporta o relatório, é marcado por maior recuo na promoção e defesa dos valores da dignidade da pessoa humana, sendo que os problemas anteriores, longe de serem superados, transmitiram para o período contemporâneo e deram origem aos novos desafios, tratando da ineficácia e ineficiência da justiça estadual que ainda continua a reclamar da urgência uma reforma profunda”, diz referindo que “ nestes três anos, o país conheceu os fenómenos nunca antes vistos caracterizados por raptos e espancamentos de cidadãos, perpetrados por um grupo de milícias patrocinados por certas estruturas de Estado, com missão de praticar atos que na perspetiva da liga, correspondem a terrorismo de Estado”, assegurou.
Este responsável diz que o país, já com os seus 50 anos da Independência, continua a ocupar as piores posições no ranking do desenvolvimento humano.
Bubacar Turé presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos exorta ainda as autoridades nacionais a abandonarem as ações de ataque aos Direitos Humanos.
“ Exortamos as autoridades nacionais no sentido de abandonarem as ações de ataque aos Direitos Humanos, adequando as suas condutas à Constituição e às demais leis em vigor na Guiné-Bissau, porque a lei deve ser o critério, o fundamento e o limite de atuações de todas as autoridades nacionais”, concluiu.
O presente relatório da Liga Guineense dos Direitos Humanos foi produzido no âmbito do projeto “Direitos Humanos em Risco na Guiné-Bissau: Pesquisa, advocacia, sensibilização e Comunicação” desenvolvido em parceria com a Associação pela Cooperação entre Povos e conta com o apoio financeiro do Camões.
Por: Diana Bacurim
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