LGDH DENUNCIA MORTE DE TRÊS PESSOAS NO HOSPITAL NACIONAL SIMÃO MENDES SUPOSTAMENTE DEVIDO À FALTA DE OXIGÉNIO-
A Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH) denuncia que, no passado dia 15 de março, três pessoas morreram no Hospital nacional Simão Mendes, supostamente devido à falta de oxigênio.
A denúncia da Liga consta num comunicado da mesma organização que traz em ribalta as dificuldades e os constrangimentos enfrentados no setor da saúde pública da Guiné-Bissau.
Em conferência de imprensa, hoje, Edmar Nhaga, segundo vice-presidente da Liga, denuncia ainda que as três fábricas instaladas no Hospital Simão Mendes não produzem oxigênio suficiente e, não obstante, uma das fábricas custeada pelo próprio Estado tem a sua gestão duvidosamente concessionada a um privado.
“No dia 15 de março de 2024, três pessoas morreram no Hospital Nacional Simão Mendes, supostamente devido à falta de oxigénio e das três fábricas de oxigénio existentes no Hospital Nacional Simão Mendes, uma se encontra avariada já há algum tempo, a segunda doada pela OMS não está a funcionar devido a um problema técnico e, a terceira que produzia 124 botijas por dia, só consegue produzir 12 nos últimos tempos. Aliás, a LGDH sabe que esta última fabrica cujo custo de aquisição e instalação foi suportado pelo Estado da Guiné-Bissau, teve a sua gestão estranha e duvidosamente concessionada a um privado que por sua vez, produz e vende o oxigénio ao referido hospital por um preço de 20.000 francos por botija@ denuncia a Liga que igualmente informa que o laboratório do Hospital Nacional Simão Mendes tem funcionado de forma deficiente devido à falta de reagentes, testes de despistagens, películas de raios X, impossibilitando o diagnóstico dos utentes.
Uma das denuncia tem a ver com o Banco de Sangue que não tem conseguido fazer vários testes, devido a falta de kits, e em consequência, o processo de doações de sangue se encontra muito limitado;
“Os medicamentos de distribuição gratuita têm faltado aos utentes sobretudo aos mais carenciados nos últimos dias, pondo em risco a saúde e a vida de muitos utentes; deficiente funcionamento de todos os serviços do Hospital Nacional Simão Mendes, devido a não transferência cabal e regular dos fundos prometidos e graves problemas de segurança nos diferentes departamentos do HNSM, em razão do não pagamento das obrigações contratuais com a empresa de segurança privada, são os pontos ainda denunciados pela LGDH.
A Rádio Sol Mansi tinha estas mesmas informações de que pessoas teriam morrido no Simão Mendes devido à falta de oxigênio e, ontem, o nosso repórter esteve no Hospital Nacional Simão Mendes e falou tanto com o diretor assim como o administrador que garantiram que o hospital produz oxigênio normalmente mas não quiseram gravar a entrevista.
Entretanto, ainda sobre a conferencia de imprensa de hoje, a Liga Guineense dos Direitos Humanos denuncia ainda a tentativa de fixação de novos precários que poderão transformar este maior centro de estabelecimento de saúde de Bissau numa clínica privada e cuja consequência é sentida no bolso dos consumidores.
A organização que zela pelo respeito dos direitos humanos fala ainda na má distribuição dos profissionais de saúde nas diferentes áreas sanitárias e inexistência de supervisão técnica de qualidade, tendo em vista a melhoria da produtividade dos recursos humanos.
Uma das preocupações apontadas é a imagem de ruína das infraestruturas em várias localidades do país, associadas ao ambiente insalubre das instalações e falta de água e energia elétrica.
Diante desta situação, a Liga Guineense dos Direitos Humanos exige a abertura de um inquérito para esclarecer as circunstâncias da morte de três pessoas supostamente devido à falta de oxigénio e que o Ministério das Finanças retome com maior brevidade possível, as transferências integrais de fundos aprovados através dos despachos conjuntos dos Ministros das Finanças e da Saúde.
A Liga exige ainda que sejam abandonadas todas as iniciativas que visam fixar novos preçários para o acesso aos serviços e atos médicos e a aprovação de um estatuto remuneratório adequado às exigências do exercício da função dos médicos e igualmente exorta ao Ministério Público no sentido de investigar as circunstâncias que rodearam a concessão da gestão de uma das fábricas do Hospital Nacional Simão Mendes a uma entidade privada, sem nenhum concurso público.
Ainda é exigida a adopção de mecanismos de controlo, gestão transparente dos fundos e prestação de contas nos diferentes estabelecimentos hospitalares; a despartidarização dos cargos de gestão e de direção dos hospitais e centros de saúde; e ainda a criação de condições que permitam a cobertura universal da assistência sanitária no Hospital Nacional de Simão Mendes e a melhor gestão dos fundos provenientes do tesouro publico.
Para a LGDH deve ser estabelecido um processo de diálogo franco, aberto, inclusivo e transparente com todas as organizações representativas dos médicos e enfermeiros com vista a impedir novas greves no sector da saúde.
A Liga informa ainda que já enviou, desde o passado dia 16 de fevereiro, uma carta aos ministros da Saúde Pública e das Finanças, solicitando a sua intervenção urgentes com vista ao retorno do normal funcionamento do Hospital Nacional Simão Mendes e, que até a data presente não obteve nenhuma resposta, “o que demonstra o descaso e desinteresse por parte das autoridades competentes no endereçamento de um assunto de suma importância para os cidadãos”.
Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos / Marcelino Iambi
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