Justiça: TRIBUNAL REGIONAL DE BISSAU ADIA AUDIÇÃO DO LÍDER DA FRENTE POPULAR PARA SEXTA-FEIRA ÀS 12:00

O Juiz de Instrução Criminal adiou para amanhã às 12h00, a sessão de audição do coordenador da Frente Popular e oito dos seus colegas, no âmbito do processo de “habeas corpus” intentado pelos advogados.

A informação foi avançada em conferência de imprensa realizada na Casa dos Direitos em Bissau, após o anúncio de adiamento da audição prevista para esta quinta-feira, pelo porta-voz do coletivo dos advogados, Luís Vaz Martins.

“Dizer que o Ministério do Interior não nos mandou os detidos e o tribunal ficou impotente e vai adiar a audição para amanhã, que tipo de tribunal que temos?” Perguntou o advogado.

No entender do advogado, “isso confirma que temos tribunal que está ao serviço de um regime ditatorial que viola todos os dias os direitos fundamentais dos cidadãos e o que está a passar com os 9 indivíduos que saíram as ruas para defender o nosso direito, a nossa liberdade com coragem, mesmo com a consciência de que a consequências seria estas, iram com firmeza sabendo que podiam sofrer as consequências, foram torturados e a Ordem vai accionar através dos mecanismos na sua disposição para apresentar a queixa-crime não só pelos atores morais daquele ato assim como também pelos atores matérias do ato, porque trata de tortura e aquilo tem a sua consequência no plano jurídico internacional”, assegura Vaz Martins.

Para o presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Bubacar Turé, à saída do tribunal para além de lamentar o adiamento da audição, diz que o tribunal perdeu a oportunidade de provar que é independente e imparcial.

“Lamentamos porque provamos mais uma vez, aliás o tribunal perdeu mais uma vez a oportunidade de nos provar que é independente e imparcial, portanto ele nos aprovou da sua subordinação à ordem superior simplesmente”.

Entretanto, o vice-coordenador da Frente Popular, Fernando Mandinga, solicita a ampliação da prisão, porque a luta da Frente Popular vai continuar.

“O que queremos apelar aos nossos algozes é de aumentar a prisão ou construir as prisões, porque há várias pessoas para colocá-la e queremos deixar claro de que esta luta vai continuar, a luta não vai voltar para trás. Podem dilacerar os nossos corpos, podem encher hematomas dentro dos nossos corpos e podem fazer a Guiné-Bissau de uma prisão ao céu aberto mas, esta ideia da Frente Popular vem para ficar”, afirma o vice-coordenador Fernando Mandinga, durante a conferência de imprensa, que contou com a presença de vários activistas sociais.  

Ontem, o juiz de Instrução Criminal, junto ao Tribunal Regional de Bissau, ordenou a entrega do líder da Frente Popular e mais outros colegas participantes na manifestação popular do dia sábado, para serem ouvidos naquela instituição judicial em audiência de discussão dos pressupostos da prisão.

A organização defensora dos direitos humanos anunciou o lançamento da campanha “liberdade já aos 9 cidadãos sequestrados”, com a fixação das lonas e cartazes em diferentes artérias da capital Bissau.

Por: Braima Sigá

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