GUINEENSES EXIGEM QUE PÃO TRADICIONAL SEJA VENDIDO A 150 FRANCOS CFA
Os cidadãos guineenses condenam a decisão dos padeiros em venderem o pão por 200 francos cfa em decorrência do apelo feito, ontem, pelo presidente da república, e que contraria a decisão do governo que ordena a sua venda por 150 francos cfa.
A posição da população foi ouvida, numa reportagem da Rádio Sol Mansi, nas ruas da cidade de Bissau, no âmbito da falta do pão tradicional (conhecido como pão Kuduro) no mercado devido ao “boicote” dos padeiros.
No entendimento dos citadinos, a medida de fixar o preço é da competência do governo que deve ser comprida pelos padeiros.
“Não estou de acordo, porque no mundo nem todo o mundo está nos gabinetes. Que nos deixem em paz e que não nos mate com fome, estamos a morrer de fome com os nossos filhos. É só na Guiné-Bissau que um governo toma decisão e o presidente vem contrariar esta decisão que beneficia o povo”, disse uma cidadã guineense que tem um cacifo num dos mercados improvisados.
“Se ele disser isso, então que saiba que nem todo o mundo tem o que comer. E, a maioria das pessoas não tem o poder da compra. Isso não está bem, porque nós devemos ouvir o governo sendo uma entidade que sabe que estes comerciantes colocam preços á revelia”, sustenta uma vendedeira nacional.
“O presidente da República, enquanto um órgão da soberania tem os seus poderes conferidos na Constituição da República, mas não tem competência ao ponto de ordenar que o preço o pão seja de 200 francos cfa. Então, estamos num conflito entre os órgãos da soberania. A competência de fixar o preço nos mercados é do próprio governo, sendo que tem a competência política de governar”, explica um cidadão também ouvido num dos bairros de Bissau.
Uma outra cidadã critica a mesma decisão e sustenta que “o presidente cometeu erros”.
“Porque fecharam os fornos e disseram que não vão vender os pães. Porquê vamos admitir que estrageiros venham mandar no nosso país”, questionou a mesma cidadã que deslocava para o mercado.
Para a resolução desta situação, os cidadãos apelam ao governo para tomada de medidas necessárias, criando padarias eléctricas a fim de poder abastecer o mercado em grande quantidade de pão e com maior qualidade de higiene.
“O pão tradicional é uma fonte de doença. Eles dormem nas mesmas padarias, urinam no mesmo local e inclusive fazem às suas necessidades pessoais. Queremos inclusive que o governo se empenhe para criar as suas próprias padarias e vender pães em melhores condições”, exorta a população guineense.
Perante esta situação e numa entrevista telefónica, o secretário-geral da Associação dos Consumidores de Bens e Serviços (ACOBES), Bambo Sanhá, apela a um entendimento entre os órgãos de soberania, para o bem da população.
Na segunda-feira última, a Associação dos Padeiros (Panificadores) Tradicionais considera de absurdo ou seja de um prejuízo, vender pão a 150 francos CFA enquanto o preço de farinha continuasse e, alta.
No entanto, o Presidente da Republica pede aos padeiros para produzirem pães ainda na quarta-feira, que pode ser comerciável ao preço de 200 francos CFA, contra o preço fixado pelo governo de 150 fcfa.
No domingo, o governo havia ameaçado fechar as padarias cujos proprietários não cumprissem com o emanado do seu Despacho.
Por: Rádio Sol Mansi / Marcelino Iambi
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