Greve nos hospitais: GUINEENSES AINDA TEMEM PELA VIDA

O país continua a enfrentar mais uma vaga da paralisação na administração Pública com efeitos devastadores no sector da saúde público da Guiné-Bissau. Apesar da colocação de alguns civis e militares nos hospitais públicos, as pessoas ainda temem pelas próprias vidas.

Esta manhã, para entender sobre o impacto do baiote nos hospitais e centros de saúde, a Radio sol Mansi fez uma ronda no principal hospital público “Simão Mendes” e constatou que as instalações continuam praticamente desertas.

Em declaração à imprensa, o director do Hospital Nacional Simão Mendes, Sílvio Coelho, confirma que alguns técnicos da divisão de saúde militar estão a prestar o serviço mínimo nos diferentes departamentos do mesmo hospital.

Mesmo com a presença de alguns técnicos da divisão de saúde militar, Sílvio Coelho confirma o boicote dos técnicos afectos a esta maior instituição da saúde pública guineense.

Já em Bafatá, leste do país, depois do primeiro dia do boicote, o serviço mínimo está a ser prestado pelos técnicos do hospital regional. Mas, a RSM sabe que logo no primeiro dia do boicote, 20 de Setembro, duas grávidas deram a luz na porta do hospital e sem acompanhamento medico, o parto foi assistido pela própria população.

Em entrevista à RSM, Adja Djenabo Embaló, disse que desde o dia 21 começou a ser prestado o serviço mínimo mas desconfia-se que a população ainda não sabe disse por isso não estão a procurar os serviços.

“Peço que o governo e os sindicatos sentem-se à mesma mesa, porque a população está a sofrer”, exorta.

O episódio semelhante aconteceu nas zonas insulares, concretamente em Bolama, onde, segundo o ministro da Saúde Pública, Dionísio Cumbá, uma parteira assistiu uma menina de 15 anos de idade a dar luz, mas que depois está a ser fortemente atacada pelos colegas pelo gesto após a publicação da foto pelo próprio responsável do hospital.

Em Empada, sul do país, a RSM esteve no hospital “Rui Djassi” e constatou que nenhum serviço foi prestado e existem relatos da própria população que avisa que, caso a situação prevalecer, toda a região que Quinará sairá às ruas para pressionar a tomada de decisão do governo.

“Isso é muito mau, uma grávida estava aqui a receber tratamentos médicos mas foi tirada do hospital sem um mínimo de tratamento e ela foi transportada numa motorizada e teve que assegurar nas costas do próprio motorista”, conta um homem que esteve na porta do hospital.

Um outro paciente que estava na rua pede o governo para ultrapassar esta situação nos hospitais, porque “nós a população estamos cansados com esta situação, existe greve em quase todos os sectores”.

Em Mansoa, zona norte, também existem relatos de pessoas a sofrerem no hospital regional de Oio, algumas pessoas lamentam e outros a solicitar a resolução urgente da situação.

Existem relatos de que, no primeiro dia da greve, várias pessoas morreram nos hospitais públicos sem cuidados básicos sendo que o serviço mínimo não foi prestado. Alguns pacientes, tiveram que sair do hospital e entregando tudo à sua própria sorte.

UNTG ACUSA GOVERNO PELAS MORTES NOS HOSPITAIS

Entretanto, ontem (22), o Secretário-geral da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG), Júlio Mendonça, responsabiliza o governo de Nuno Gomes Nabiam sobre as mortes das pessoas nos Hospitais de todo o país.

Em conferência de imprense, Júlio Mendonça disse que as exigências dos sindicatos tem a ver, principalmente, com a organização do sistema de saúde e a capacitação dos profissionais de saúde.

“Estão a enganar as pessoas de que estão a investir económica no Hospital Nacional Simão Mendes. (…) Vão no mesmo hospital e verão qual ministro do actual governo é socio da empresa encarregue da limpeza”, denuncia Júlio Mendonça que anuncia ainda que nenhum concurso foi aberto para a adjudicação do contrato.

Júlio Mendonça disse ainda que os técnicos de saúde “radicalizaram” devido ao cumprimento do serviço mínimo que deve ser revido.

A UNTG questiona ainda a reacção do governo sobre a declaração do Presidente da República que ordenou o executivo a descontar todos os funcionários em greve, e também disse que nenhum dos seus ministros vai sentar na mesma mesa para negociar com a UNTG.

Júlio Mendonça pediu respeito da separação dos poderes na Guiné-Bissau.

GOVERNO QUER ENTENDIMENTO COM OS SINDICATOS

Já, ontem, o ministério da Função Publica manifestou disponível para abertura de um diálogo com os sindicatos para encontrar consenso sobre a paralisação na função pública.

Tumane Baldé que falava depois do encontro com a equipa do Conselho de Trabalho do Dialogo Social da UEMOA apela aos profissionais de saúde a reconsiderarem as suas posições.

O ministro considera que a paralisação dos serviços é um abandono de serviço.

DEPUTADOS PROMETEM SER ELO PARA FIM DA GREVE

Ainda sobre o impacto da greve nos hospitais, a comissão especializada da Assembleia Nacional Popular para áreas sociais saúde e educação promete encontrar o entendimento entre os técnicos de saúde pública e o governo para o fim do boicote no sector de saúde

Aos jornalistas após a visita em algum departamento de atendimento no maior centro hospitalar do país que segue-se logo com o encontro entre a comissão especializada da ANP e os directores de serviços que, através de uma nota pediram demissão em bloco com a justificação de ocupação da divisão de saúde militar aos seus serviços sem explicação prévia, Lassana Fati diz que seria “muito complicado agravar o problema do sistema de saúde que por si só é fraco”.

Ainda esta semana, o porta-voz do governo, Fernando Vaz, considerou o boicote dos técnicos de saúde de um acto de selvajaria.

Na segunda-feira (20), os técnicos ligados ao sector da saúde pública decidiram boicotar todos os serviços para reivindicarem, entre outros pontos, o pagamento de salários e subsídios em atraso, o enquadramento efectivo no chamado estatuto do pessoal de saúde e a melhoria de condições nos centros de atendimento aos doentes da Covid-19.

 

Por: Elisangila Raisa Silva dos Santos

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