GREVE DA FRENTE SOCIAL ESTÁ A TER EFEITOS NEGATIVOS NOS UTENTES DO HNSM
Até esta manhã foram relatadas três mortes, embora não oficiais nos serviços de urgência do Hospital Nacional "Simão Mendes" (HNSM), na sequência da greve da Frente Social iniciada, hoje (15 de maio), em todo o país.
Os relatos são dos acompanhantes e dos próprios utentes do maior centro hospitalar do país, e que estavam à espera de serem atendidos no serviço de urgência.
Apesar de estar a ser observado um serviço mínimo, os utentes ouvidos pela Rádio Sol Mansi em diferentes departamentos do "Simão Mendes" disseram que a situação é preocupante, e que poderá ter um impacto negativo no processo do desenvolvimento nacional.
“Nesta manhã na minha presença foram retirados três corpos, e a causa das mortes deve ser a greve de Frente social, e, inclusive, anteontem, antes do início da greve, evacuaram vários pacientes para Hospital Militar Principal devido à falta de condições de trabalho”, disse um acompanhante de um dos pacientes internados.
“Em caso vierem a reduzir o serviço mínimo seria fatal, porque neste momento têm somente dois médicos em deferentes serviços e estes não serão suficientes para dar resposta à demanda”, alerta.
Sobre esta situação, a Rádio Sol Mansi falou com o diretor do serviço de Urgência do Hospital Nacional "Simão Mendes". Conforme Bubacar Sissé a greve pode vir a provocar situações indesejáveis em que se inclui o aumento de número de óbitos.
“Na verdade, a greve pode provocar situações indesejáveis em caso da redução do pessoal nos serviços mínimos, pode aumentará o número dos mortos”
Entretanto, esta manhã em entrevista à Rádio Sol Mansi, Déncio Florentino Ié, porta-voz da Frente Social e igualmente membro da Comissão Negocial, que reafirma que a greve só pode ser suspensa, mediante o cumprimento do memorando de entendimento assinado com o governo, no passado dia 24 de março.
“A greve está de pé e vai continuar até dia 23 de corente mês em caso o governo continuar com a passividade”, avisa Déncio Florentino Ié, porta-voz da Frente Social.
AULAS FUNCIONAM NORMALMENTE NO SETOR PÚBLICO
As escolas públicas estão a funcionar normalmente nas escolas públicas, mas, como estava a acontecer desde o início do ano, algumas escolas estão sem professores de diferentes disciplinas.
A RSM fez uma ronda nas escolas públicas e constatou que o normal funcionamento e, o Diretor do Liceu Rui Barcelos da Cunha, Izidro Anastácio Martins, explica que soube da greve no lançamento da reabilitação do campo polivalente e "felizmente não está a ser verificado nenhuma situação desse gênero".
Já o diretor do Liceu Agostinho Neto, Amadu Camará, confirma que o sindicato dos professores do referido liceu tinha avisado que não ia participar na greve.
"Eu herdei isso no liceu Agostinho Neto, após a minha nomeação o sindicato me tinha avisado de que não vão participar na greve, alegando que quando participam na greve sofrem descontos no salário e os responsáveis não são descontados".
Iniciada hoje, até ao próximo dia 23 de maio, com exceção dos fins-de-semanas, a greve nos setores da saúde e da educação foi convocada pela Frente Social, em reivindicação ao não cumprimento do memorando de entendimento assinado com o governo.
Os sindicatos exigem, entre outros pontos, o pagamento de 16 meses de salário aos técnicos de saúde, novos ingressos, o pagamento de salário dos contratados da educação, a legalização do processo de nomeação dos diretores das escolas e centro de saúde, e ainda na melhoria das condições laborais.
Por : Turé da Silva
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